sábado, 27 de março de 2010
O Estado Fracassado da Inglaterra
Raramente em nosso mundo tivemos a oportunidade de assistir em primeira mão quando uma grande potência ocidental veio abaixo de modo tão espetacular tal como estamos para ver com o colapso final da agora carente de império Grã Bretanha. Apenas o eventual colapso dos EUA será um espetáculo maior do que está para vir do continente europeu.
Pois a Inglaterra é um estado fracassado em todos tipos de níveis e realidades, de uma total falta de liberdade no campo de prisioneiros pseudo-estalinista ao total colapso da economia, sociedade e militares, um colapso físico ligado tal como um gêmeo siamês ao colapso espiritual e moral. Um empreendimento pós-cristão sem Deus, moralmente corrompido, economicamente sem um tostão e tomado pelos selvagens mais vis, perversos e sanguinolentos.
O fracasso está mais visível agora na esfera financeira, ocultando outras áreas igualmente vitais. A Inglaterra é uma nação endividada com as prensas de dinheiro a todo vapor, que, enquanto passa lições para as economias fracassadas da Islândia e Grécia, está ela própria em um déficit de 12,6%, comparado ao igualmente insuportável de 12,7% da Grécia. Pior, a Inglaterra mantém uma taxa de juros de 0%, acabando com a aposentadoria de milhões de seus aposentados, mesmo enquanto seu sistema médico trata de os despachar aos montes para o outro mundo, de maneira "digna" é claro. No momento, em média, uma de cada 8 lojas fechou as portas, deixando muitas áreas abandonadas, e a taxa continua a acelerar.
Além disto, o estado estalinista da Inglaterra nacionalizou à força todos os grandes bancos da ilha, enquanto aumentava os impostos de tudo. Os golpes finais nesta alquimia financeira foram as propostas de VAT sobre alimentos, que traria de volta a velha miséria do Séc. XVIII, e um imposto sobre o lixo, através de lixeiras inteligentes, capazes de estimar o peso do lixo e cobrar de acordo, e isto após um imposto geral que já deveria pagar pelo lixo. O último prego serão as leis verdes destruindo o que sobrou da indústria da Inglaterra.
Em controle, o governo do proto-estalinista Blair/Brown e seus figurantes de dita oposição menchevique Tory istalaram duas vezes mais câmeras que pessoas. Tudo é catalogado e rastreado: de movimentos pessoais, transações a viagens em autoestradas. Informantes estão em todos os lugares, vizinho dedurando vizinho, amigo a amigo, família a família. Agora chega a notícia de que o estado policial irá manter dossiês até de crianças de cinco anos que usem de ou exibam comportamento "racista" ou "intolerante". Quais ações policiais seguirão desta tirania é algo ainda a ser determinado. É claro que isto é estalinista ao extremo, muito similar ao que aquele louco maldito fez durante seus vários grandes expurgos. As únicas coisas faltando são os campos de prisioneiros... por enquanto.
Para completar, a migração em massa islâmica para o que agora está se tornando um exportador de Jihad, o Reino Unido, tem sido estonteante, e agora sabe-se que as elites dominantes e seus figurantes o fizeram de propósito. Visualize uma elite nacional que propositadamente tomou medidas para de fato exterminar a mesma sociedade que os permitiu subir ao nível em que estão. Na maioria das sociedades haveria garfos e fogueiras, mas não na Inglaterra... Apenas cartas de protesto de palavras brandas vindas do público geral, enquanto os islâmicos estupram e matam à vontade e o estado policial vigilante e onisciente nunca parece saber o quê e quando acontece isto... mas Deus não permita que você acenda um cigarro em um bar e se recuse a apagar: mandarão um pelotão de choque inteiro atrás de você.
Ou Deus não permita que você revide. Justiceiros não serão tolerados: cheira muito a individualismo e deve ser esmagado. Portanto, os islâmicos e os criminosos semi-selvagens, que um dia serão recrutados por eles, irão ficar à solta e vitimizarão o resto da população. O sistema de metrô de Londres, menor que o de Moscou e atendendo a uma cidade e circunvizinhança de metade da população de Moscou, teve 33 assassinatos em 2009 contra 10 do de Moscou. E os ingleses escrevem sobre crime na Rússia?
Enforquem algumas dúzias de sua escória hooligan e jihadista em árvores e postes, e eles entenderão bastante depressa.
Mas isto não deveria ser surpresa, considerando que a Igreja Anglicana é ela mesma pós-cristã e conduz a população perdida e estupefata ao Inferno e perdição, e a maioria dos ingleses está mais que feliz em seguir, e abençoadamente cuspir no olho de Deus... afinal, seus mestres os convenceram de que eles mesmos são homens-deuses humanistas.
Enquanto isto, os maiores bispos da Igreja Anglicana estão lutando pelo casamento gay, e estão mais ocupados em defender os islâmicos que querem impor a Sharia aos cristãos até os extinguir do que conduzir seus rebanhos até Cristo. Acaso é de surpreender que a Igreja Ortodoxa cresce rapidamente no Reino Unido, enquanto congregações inteiras enviaram pedidos ao Papa Católico para se unirem a Roma? O Demônio definitivamente tem um quintal na Igreja Anglicana.
Até o propagandeado Sistema de Saúde Nacional Inglês está quebrado e matando, tanto por desígnio quanto por negligência, possivelmente centenas de milhares de pessoas por ano. Em 2008, 6.000 mulheres deram à luz em corredores, elevadores e táxis, quando a falta de leitos e médicos as barrou nos últimos minutos antes do nascimento. Um novo relato que acabou de sair, mas que aparentemente já estava nas mãos das elites por mais de meio ano, mostra que uns 50.000 ou mais por ano morrem de negligência direta nos sistemas de hospitais, e isto sem o Caminho Satânico em efeito. O que é o Caminho? Ora, o Caminho à Morte Digna, onde pegam velhos doentes, e até não tão velhos, enchem-os de morfina e permitem que esfaimem-se ou desidratem-se até a morte. O mal de tal sistema, e o fato de que os ingleses o tolerem e não se levantem além da indignação e notas de palavras duras, mostra-nos quão merecedora do colapso total a socieadade inglesa é.
E onde está a realeza? Onde estão os defensores escolhidos por Deus da fé, cultura e lei inglesas? Onde estão aqueles designados por Deus para governar e vetar esta insanidade? Ora, bêbados, drogados e depravados ao estupor, onde mais? Por quê governar se você pode trepar e beber pela sua vida sem uma preocupação ou um Diabo que o carregue ─ e carregará ─ para o que acontece em seu próprio reino? Bando mais miserável é difícil de imaginar.
Então o que é preciso para finalmente levar abaixo o que resta deste destroço da humanidade? Ora, a guerra vindoura com a Argentina pelas Malvinas, é claro. A Inglaterra está de pernas abertas no Afeganistão, latindo como um bom cachorro de madame para os ianques, os mesmos ianques que estão obviamente tomando partido dos financeiramente quebrados e corruptos argentinos contra os financeiramente quebrados e corruptos ingleses. Simplesmente não há jeito de a Inglaterra manter as Malvinas e a riqueza em petróleo lá, e esta perda pode finalmente fazer despencar o podre, um choque ao qual o sistema não sobreviverá.
Mas, honestamente, há alguma esperança em partidos pequenos, continuamente ganhando terreno, como a Liga de Defesa Inglesa (English Defense League). Tendo rotulado tudo sob o sol que rima com nazista, assim como Geert Wilders e seu Partido da Liberdade, estes rapazes têm seu trabalho feito sob medida e, francamente, podem estar chegando tarde demais.
Boa sorte, rapazes! Vocês irão realmente precisar.
Tradução: David B. Carvalho
Do blog Mat Rodina (Мать Родина, que significa "Pátria Mãe" em russo).
sexta-feira, 5 de junho de 2009
Carta de apoio aos Católicos de Limeira
Caríssimos irmãos católicos de Limeira,
Ave Crvx Spes vnica!
Nós do blog Cruzados de Maria de Belo Horizonte, através deste instrumento, viemos prestar nossa solidariedade ao vosso bom combate. Tanto vocês como nós, sabemos que a porta continua estreita e que aqueles que deveriam nos ensinar o caminho para passar por esta porta,a estreitam ainda mais para nós, enquanto a alargam para todos os outros.
Lutemos sempre pela aplicação do Motu Propio Summorum Pontificum, pela Missa de Sempre e dispensemos nosso tempo para com esta gente, em oração. Pedindo a nosso Senhor que eles se preocupem mais em obedecer ao Papa (sobretudo na correção da fórmula da consagração) e demonstrem o mínimo de zelo e respeito pela liturgia que tem sofrido abusos pelo Brasil afora pela negligência destas mesmas pessoas que trazem em seus testemunhos que atualmente não é necessário obedecer nada e nem ninguém, além da própia consciência. Que Deus nosso Senhor, os ilumine e os faça sair das trevas da apostasia, pois como diz São Tiago;
“Adúlteros, não sabeis que o amor do mundo é abominado por Deus? Todo aquele que quer ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus” São Tiago 4,4.
Muito ainda pode ser dito a respeito deste caso, mas deixemos a palavra com Gustavo Corção, porque também o CLERO depois do Concílio, FOGE DA IDADE MÉDIA, tal como os humanistas e cientistas do Século XVI!
Belo Horizonte, 05 de junho de 2009
CRUZADOS DE MARIA
Os humanistas e os cientistas fogem da Idade Média
Gustavo Corção
4' De que coisa se afastavam os humanistas como os cientistas do Século XVI?Aparentemente um desses movimentos aponta para um Novo Mundo, pelo dedo de Sagres, enquanto o outro aponta para o Mundo Antigo, sendo assim opostos. A eclosão renascentista não é unidirecional, não é simplesmente progressista como pensam alguns historiadores — estamos pensando no pueril entusiasmo de bom Michelet — que não se deram ao pequeno cuidado de observar o prefixo RE que se convencionou dar à Renascença e à Reforma, e que indica um conteúdo regressivo, tão importante que chegou a prevalecer nas duas denominações. Como Chesterton tão bem observou, a Renascença é mais uma volta do que um avanço. Mas volta para onde?
A chave do enigma é a cristandade medieval: foi essa Coisa que constituiu considerável massa repulsiva dos homens da nova Coisa X. Afastavam-se dela astrônomos, geógrafos, físico», caminhando em direção do futuro; e saltavam por cima dd;i ou humanistas e artistas que procuravam no mundo antigo uma natureza humana, uma escultura, uma história, anteriores a civilização medieval — anteriores, preexistentes, e por conseguiu te mais basilares para a nova antropologia e para a história nova. O essencial e comum dos dois movimentos era o desejo de ampliar os horizontes nos dois sentidos, deixando o bolsão medieval cercado e isolado em sua pequenez. Inconscientemente queriam livrar-se do cristianismo; como porém a marca era forte demais, só conseguiram tirá-lo do firmamento civilizacional mais próximo, deixando-o relegado a uma estratosfera. Mais conscientemente religioso foi o movimento da Reforma que, pelos mesmos motivos, não podendo desligar-se do cristianismo, desligou-se da Igreja, indo buscar nos primeiros séculos do cristianismo a "dirita via ch'era smarrita", ou o que supunham ser o verdadeiro cristianismo.
Um processo de mudança da civilização é mais compreensível onde se vê, na nova experiência, a integração do passado recente e o aproveitamento, ao menos parcial, dos frutos colhidos na experiência anterior. Foi assim que a civilização Romana usou a Helênica; e foi assim, como já mostramos, que a Civilização Medieval Cristã usou as anteriores, sem visíveis demonstrações de aversão ou irritabilidade.
Agora estamos diante de um processo diferente. Dir-se-ia um movimento de desobediência provocado por uma misteriosa acumulação de ressentimentos; dir-se-ia uma adolescência conflituosa. A difundida idéia que faz da Idade Média uma idade obscura e anticientífica, e da Renascença uma idade clara e científica, é simples demais, além de não ser verdadeira. A Idade Média podia ser antifisicista, como diz Etienne Gilson, por desinteresse em relação aos problemas da física e da astronomia, mas não por uma declarada aversão. E o lento desabrochar da ciência da natureza tem sua explicação na própria índole do progresso científico, que obedece à interdependência das mais diversas disciplinas. A astronomia, por exemplo, esteve estacionária, depois de gregos e alexandrinos, durante séculos e séculos, à espera da invenção das lentes e da luneta. Depois de Galileu e Copérnico, tem de se esperar o desenvolvimento das matemáticas. Com Kepler galga mais um degrau, com Newton mais dez degraus. E à medida que recebe subvenção de toda a parte, a marcha se acelera: a análise espectral no fim do século XIX permite a análise química das estrelas, e a energia nuclear, nos meados do século XX, renova a concepção geral do universo. Mas é preciso entender bem essa curva do progresso: no ambiente rarefeito, demograficamente e culturalmente, a ascensão é lenta; torna-se rápida, com aceleração parabólica, à medida que todos os diversos ramos progridem. Poderíamos empregar uma comparação. Numa cidade que possui 100 telefones, são possíveis 4950 conversações; mas na cidade de 200 telefones são possíveis 19.900 comunicações; por onde se vê que, dobrando o número de aparelhos, o número de conversações fica praticamente quadruplicado. Podemos aplicar êsqg critério combinatório a um ambiente cultural. Quando cresce o número de "aparelhos" instalados (descobertas, invenções) cresce na proporção do quadrado, ou mais, o intercâmbio, e como esse intercâmbio é em regra geral fecundo, cresce também o número de novos "aparelhos".
Quanto às resistências culturais encontradas pela ciência, é extremamente pueril atribuí-las à religião cristã, que em todas as épocas produziu estudiosos e até, de certo modo, liderou a cultura científica. Acidentalmente pode o mundo cristão, por equívoco, ter queimado algum astrónomo, como acidentalmente a República Francesa guilhotinou algum químico. Não está na essência do cristianismo nenhuma idiossincrasia em relação à astronomia, como na sua essência a república também não se encontra em antagonismo com a química.
No século XIII, o mestre de Santo Tomás, Santo Alberto Magno, tinha especial gosto pelas ciências naturais; a maioria dos estudantes, em Paris, nesse glorioso século, dedicava-se aos cursos de ciências naturais. Poderá alguém duvidar, com bom fundamento, que a ciência do século XIII produziria a ciência do século XX dentro do mesmo ambiente civilizacional?
O ponto aonde queremos chegar é este: não parece razoável pensar que o ressentimento ou a agressividade renascentista tenham sido provocados por um suposto antiprogressismo medieval. Parece-nos, ao contrário, que é mais efeito o que apontam como causa; e que é mais profunda, mais religiosa, a causa da compressão bruscamente desrecalcada nos séculos XV e XVI. Não é por mero acidente, nem por força da tão falada "decadência da escolástica" que Tomás Morus e Erasmo, o rei dos humanistas da Renascença, se riam dos filósofos dn Escola. Nem é por simples coincidência que os dois movimentos, a Renascença e a Reforma, ocorrem no mesmo século.
Há no fim da Idade Média algo parecido com uma desobediência coletiva, cultural, e há no princípio dos Tempos Modernos algo parecido com emancipação a crescimento. A tragédia reside nessa disjunção, como em tantos casos particulares se vê: o adolescente crê que reforça sua autonomia e festeja melhor sua emancipação esbofeteando ritualmente sua mãe.
O mundo moderno se esforça por negar a existência tragédia. Ao contrário, na opinião corrente, tudo se processou normalmente, e a Idade Média caiu como caem os umbigos dos animais, ou como secam os seios das mães. Alguns levam otimismo de hoje, e o pessimismo de ontem, ao ponto de dizer que a Idade Média foi um mal, um emperro, um período de trevas. Erro simétrico cometeríamos nós se só víssemos perversão, desvio, catástrofe nos tempos modernos. Mas não podemos deixar de ver, nesse período maravilhoso em que o homem afirma seu domínio sobre os elementos, e nessa quadra em que as maiores experiências políticas são feitas na direção geral da dignidade da pessoa humana, as contradições, e os erros terríveis que inclinam o homem a procurar uma espécie de descanso numa espécie de sub-humanidade.
DOIS AMORES DUAS CIDADES
EDITORA AGIR 1967
quarta-feira, 22 de abril de 2009
Ainda existem católicos alemanha?
Nota: Depois do Cardeal Kasper que nega a ressurreição de Nosso Senhor e do Cardeal Lehmann, que se nega a acreditar na Igreja… eis que surge da Conferência Negacionista Episcopal Alemã (que negou na declaração de Königstein, a Encíclica Humanae Vitae de Paulo VI), Mons. Zollist, para negar o dogma da redenção. As perguntas que não querem calar:
Ainda existe na Alemanha algum fiel católico?
Se existem, porque aceitam ter no mais alto cargo eclesiástico alemão, um mentiroso apóstata?
Por fim, não há como não lembrar o caso de Dom Willianson. Na ocasião apresentaram suas declarações reducionistas como negacionistas. Agora aparece um sujeito que reza o credo nas Missas, mas o nega publicamente em declarações que demonstram apenas que ele é um mentiroso, e ninguém faz nada.
Contra os Bispos negacionistas da fé católica, nada é feito e ninguém (absolutamente ninguém se mobiliza para confirmar-lhe a excomunhão) , mas contra um Bispo que fez declarações reducionistas sobre o holocausto que é matéria história, o re-excomungam da Igreja.
Palmas para o indiferentismo religioso fruto do Concílio Vaticano II!
Abaixo segue a notícia disponibilizada no Fratres in Unum
Escândalo: Presidente da Conferência Episcopal Alemã nega dogma da Redenção.
(kreuz.net) Para o Presidente da Conferência Episcopal Alemã, que apostatou da Fé Católica, a crucifixão de Cristo é mais um apoio psicológico no sofrimento. No Sábado de Aleluia, o Arcebispo de Freiburg e Presidente da Conferência Episcopal Alemã, Mons. Robert Zollitsch, negou a morte expiatória de Cristo. O Arcebispo Zollitsch fez essa afirmação em uma entrevista com Meinhard Schmidt-Degenhard para o programa “Horizente” do Canal de TV alemão ‘Hessischer Rundfunk’. Cristo “não teria morrido por causa dos pecados da humanidade, porque Deus tivesse precisado de uma vítima expiatória, um bode expiatório, por assim dizer”, disse o Arcebispo. O Salvador teria simplesmente se “solidarizado” com o sofrimento das pessoas até a morte. Ele teria mostrado que também o sofrimento e a dor seriam aceitos por Deus. Para Mons. Zollitsch isso significa “essa grande perspectiva, essa solidariedade imensa”, que vai tão longe que ele sofre “junto” comigo. Schmidt-Degenhard dá uma alfinetada: O senhor não diria mais que Deus efetivamente deu seu único Filho porque as pessoas pecaram? Essa expressão não seria mais formulada?” O Arcebispo Zollitsch confirmou a sua apostasia da Fé Católica com um sonoro “Não”: “Ele se envolveu comigo por solidariedade – de livre e espontânea vontade.” Assista a entrevista aqui.
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
Encíclica E supremi apostolatus del Papa San Pío X
(4 de octubre de 1903)
Dom Marcel Lefebvre
La primera encíclica de San Pío X se titula E supremi apostolatus. Su fecha es el 4 de octubre de 1903. El Papa había sido coronado el 4 de agosto, así que tan sólo dos meses después de haberse convertido en Papa publicó esta encíclica, relativamente corta y sencilla en su estructura. Tras el prólogo, expone el programa que pretende realizar durante su pontificado, no sin dar una visión del mundo actual. Luego exhorta a los obispos a que le ayuden, insistiendo sobre todo en la formación de los seminaristas, y su desvelo por el clero y la acción católica.
El Papa empieza, pues, con algunas consideraciones sobre su elección. De hecho él nunca había pensado, ni siquiera imaginado, que sería elegido por el cónclave; incluso había prometido a sus fie-les de Venecia que volvería, pero no fue así… Dice:
«Al dirigirnos por primera vez a vosotros desde la Cátedra apostólica a la que hemos sido eleva-dos por el inescrutable designio de Dios, no es necesario recordar con cuántas lágrimas y oraciones hemos intentado rechazar esta enorme carga del pontificado».
Hace suyas las palabras de San Anselmo cuando fue elevado al episcopado:
«Porque Nos tenemos que recurrir a las mismas muestras de desconsuelo que él [San Anselmo] profirió para exponer con qué ánimo y con qué actitud hemos aceptado la pesadísima carga del ofi-cio de apacentar la grey de Cristo. Mis lágrimas son testimonio —esto dice—, así como mis quejas y los suspiros de lamento de mi corazón, cuales en ninguna ocasión y por ningún dolor recuerdo haber derramado hasta el día en que cayó sobre mí la pesada suerte del arzobispado de Canterbu-ry. No pudieron dejar de advertirlo todos aquellos que en aquel día contemplaron mi rostro...»
«Efectivamente —dice entonces San Pío X— no Nos faltaron múltiples y graves motivos para rehusar el pontificado... Dejando aparte otros motivos, Nos llenaba de temor sobre todo la tristísima situación en que se encuentra la humanidad. ¿Quién ignora, efectivamente, que la sociedad actual, más que en épocas anteriores, está afligida por un íntimo y gravísimo mal que, agravándose por dí-as, la devora hasta la raíz y la lleva a la muerte? Comprendéis, Venerables Hermanos, cuál es el mal: el abandono de Dios y la apostasía».
El abandono de Dios
Así pues, para San Pío X la gran enfermedad de su época y de la sociedad era el abandono de Dios y la apostasía. El abandono de Dios: hoy lo podemos lamentar más que nunca. Si San Pío X viviese aún, creo que estaría mucho más asustado que en su época, porque entonces había todavía muchos seminarios, sacerdotes, religiosos y religiosas animados por la fe viva, y las iglesias aún es-taban llenas. Sigamos la lectura:
«Detrás de la misión pontificia que se Nos ofrecía, veíamos el deber de salir al paso de tan gran mal».
«Instaurarlo todo en Cristo»
¿Qué remedio va a proponer?
«Nos parecía que recaía en Nos el mandato del Señor: Hoy te doy sobre pueblos y reinos poder de destruir y arrancar, de edificar y plantar (Jer. 1, 10); pero, conocedor de Nuestra propia debili-dad, Nos espantaba tener que hacer frente a un problema que no admitía ninguna dilación y sí tenía muchas dificultades. Sin embargo, puesto que agradó a la divina voluntad elevar nuestra humildad a este supremo poder, descansamos el espíritu en aquel que nos conforta y poniendo manos a la obra, apoyados en la fuerza de Dios, declaramos…»
Esta es una declaración oficial corta y fuerte:
«...que en la gestión de Nuestro pontificado tenemos un sólo propósito, instaurarlo todo en Cris-to (Efes. 1, 10), para que efectivamente todo y en todos sea Cristo (Col. 3, 11)».
(«Declaramus propositum esse Nobis: instaurare omnia in Christo ut… sit omnia et in omni-bus Christus»).
Este es el programa de San Pío X.
Esta divisa es admirable, porque si leemos a San Pablo en sus cartas tanto a los Efesios como a los Colosenses, y los párrafos y versículos que siguen y que completan las afirmaciones de San Pío X, nos daremos cuenta de que éste fue también el fin principal del apostolado de San Pablo. El les dice a los Efesios y a los Colosenses que había sido elegido como apóstol para anunciar un gran misterio escondido desde el principio del mundo, escondido incluso en cierta medida a los ángeles, un miste-rio extraordinario. ¿Qué va a anunciar el Papa San Pío X? Su misterio, de eso se trata precisamente: «Instaurare omnia in Christo». Yo diría: «Recapitulare omnia in Christo», hacer de Cristo la sínte-sis de toda la humanidad y al mismo tiempo la solución de todos sus problemas. Así pues, no sólo “instaurare” sino también “recapitulare” (de la palabra griega cefalos, cabeza). Nuestro Señor Je-sucristo es la cabeza, de la cual proviene todo. Es el gran misterio anunciado por San Pablo a los gentiles. San Pío X lo toma como programa de su pontificado.
«Habrá indudablemente —añade el Papa— quienes, porque miden a Dios con categorías huma-nas, intentarán escudriñar Nuestras intenciones y achacarlas a intereses y afanes de parte… De ahí que si alguno Nos pide una frase simbólica, que exprese Nuestro propósito, siempre le daremos só-lo esta: ¡instaurar todas las cosas en Cristo!»
Está claro. Hay claridad en las ideas y nitidez en la palabra, lo contrario de lo que escuchamos hoy en día en los documentos pontificios, que abundan en ambigüedades, equívocos y expresiones de moda. Aquí todo es sencillo, no se puede dudar qué piensa el Santo Padre.
El laicismo
Después, echa una mirada sobre el mundo:
«Ciertamente, al hacernos cargo de una empresa de tal envergadura y al intentar sacarla adelante Nos proporciona, Venerables Hermanos, una extraordinaria alegría el hecho de tener la certeza de que todos vosotros seréis unos esforzados aliados para llevarla a cabo».
Cuenta con el apoyo de los obispos para que lo ayuden.
« Verdaderamente contra su Autor se han amotinado las gentes y traman las naciones planes va-nos (Sal 2, 1); parece que de todas partes se eleva la voz de quienes atacan a Dios: Apártate de no-sotros (Job 22, 14). Por eso, en la mayoría se ha extinguido el temor al Dios eterno y no se tiene en cuenta la ley de su poder supremo en las costumbres, ni en público ni en privado».
Aquí se hace notar la introducción del laicismo, de lo que hoy quizás se llamaría de modo más co-rriente la secularización, es decir, que la religión ya no influye en la vida pública, que únicamente el hombre organiza la sociedad y todas las cosas como si Dios no existiera para nada. Es el laicismo puro.
El Papa prosigue:
«Aún más, se lucha con denodado esfuerzo y con todo tipo de maquinaciones para arrancar de ra-íz incluso el mismo recuerdo y noción de Dios».
¡Qué habría dicho si hubiese vivido en los tiempos del comunismo y de las escuelas del ateísmo!
La venida del Anticristo
Después, algo curioso, el Papa hace alusión al Anticristo:
«Es indudable que quien considera todo esto tendrá que admitir sin más que esta perversión de las almas es como una muestra, como el prólogo de los males que debemos esperar al fin de los tiempos, o incluso pensará que ya habita en este mundo el hijo de la perdición (2 Tes. 2, 3) de quien habla el Apóstol».
No cabe duda de que San Pío X estaba inspirado al hablar así desde el principio de su pontificado, como si le pareciera que el Anticristo ya estaba viviendo en la sociedad de su época. El Papa santo continúa:
«Por el contrario —esta es la señal propia del Anticristo según el mismo Apóstol—, el hombre mismo con temeridad extrema ha invadido el campo de Dios, exaltándose por encima de todo aquello que recibe el nombre de Dios».
Sabemos que la venida del Anticristo será cuando los hombres rechacen a Dios en todas partes. Esta lucha abierta ha empezado ya desde hace mucho tiempo (desde la caída de Satanás y después del pecado original), pero en el transcurso de la historia de la Iglesia hemos vivido un tiempo en que Dios ha sido conocido, amado y respetado por la mayoría de las naciones.
El culto del hombre
Con el Renacimiento y el protestantismo aparecieron pensadores que deseaban transformar la so-ciedad y volverla laica, o más bien atea, pero mientras había reyes y príncipes católicos no podían conseguir lo que pretendían. Por eso, levantaron la Revolución, matando a los reyes y exterminando a los príncipes, y después de haber destruido el antiguo orden, consiguieron poco a poco establecer una sociedad realmente laica en todas partes, el mayor o menor grado de los diferentes países. Hoy los legisladores ya no tienen en cuenta los derechos de Dios ni el decálogo, sino sólo los derechos del hombre. Es algo que ya veía San Pío X:
«Hasta tal punto que —aunque no es capaz de borrar dentro de sí la noción que de Dios tiene— tras el rechazo de Su majestad, se ha consagrado a sí mismo este mundo visible como si fuera su templo para que todos lo adoren».
Todo esto ha sido profetizado. Hablando sobre su tiempo, el Papa dirige sus pensamientos hacia el futuro. Siente que van a llegar tiempos terribles en que la persecución contra Nuestro Señor será abierta. ¿Presentía acaso la llegada del comunismo ateo? En todo caso, veía al Anticristo en obra.
Dios será el vencedor
Sigamos la lectura:
«Nadie en su sano juicio puede dudar de cuál es la batalla que está librando la humanidad contra Dios. Se permite ciertamente al hombre, en abuso de su libertad, violar el derecho y el poder del Creador; sin embargo, la victoria siempre será de Dios…»
Por lo tanto, es evidente que Dios vencerá. ¿Cuándo?
«Incluso tanto más inminente es la derrota, cuanto con mayor osadía se alza el hombre esperando el triunfo. Estas advertencias nos hace el mismo Dios en las Escrituras Santas. Pasa por alto, en efecto, los pecados de los hombres (Sab. 11, 24) como olvidado de su poder y majestad; pero lue-go, tras simulada indiferencia, despertado como un hombre al que el vino ha aumentado su fuerza (Sal. 77, 65), romperá la cabeza de sus enemigos (Sal. 67, 22)».
El Papa cita las palabras de la Escritura:
«Para que todos reconozcan que el rey de toda la tierra es Dios (Sal. 46, 7) y sepan las gentes que no son más que hombres (Sal. 9, 20)».
Lo que dice San Pío X también lo podemos decir nosotros, hoy más que nunca. Dios “cierra sus ojos”. Nos sentimos un poco abandonados de Dios. Los hombres cometen las peores cosas, de las cuales nadie si hubiera atrevido a pensar siquiera en tiempos de San Pío X. Pensemos en las leyes que permiten el aborto y que llevan al exterminio a centenares de millones de niños en los países supuestamente civilizados; la inmoralidad ha llegado a todas partes: ya no se puede abrir un perió-dico sin que se hable de raptos, crímenes, violaciones… Podemos preguntarnos: ¿qué espera Dios para sacudir al mundo y hacerle temblar un poco?
Dios tiene paciencia. El ha señalado su hora, aunque nosotros no podemos saber cuándo va a ac-tuar. Podría suceder de repente; viene “como un ladrón”, algo así como la muerte.
«Todo esto lo mantenemos y lo esperamos con fe cierta. Lo cual, sin embargo, no es impedimen-to para que cada uno por su parte, también procure hacer madurar la obra de Dios: y eso no sólo pi-diendo con asiduidad: Alzate, Señor, no prevalezca el hombre (Sal. 9, 19), sino —lo que es más importante— con hechos y palabras, abiertamente a la luz del día, afirmando y reivindicando para Dios el supremo dominio sobre los hombres y las demás criaturas, de modo que Su derecho a go-bernar y Su poder reciba culto y sea fielmente observado por todos».
La salvación por medio de Jesucristo
Este es el programa: trabajar para el reinado de Nuestro Señor Jesucristo. Está claro. Para San Pío X no cuentan para nada los derechos del hombre, ni el progreso, ni los cambios de estructuras; no. Unicamente Nuestro Señor. Por El nos vendrá la salvación, como dice luego: cumplamos nuestro deber, y si buscamos la paz no la debemos buscar fuera de Dios:
«Una vez rechazado Dios, se busca la paz inútilmente, porque la justicia está desterrada de allí donde Dios está ausente; y quitada la justicia, en vano se espera la paz. La paz es obra de la justicia (Isa. 32, 17)».
Dar a Dios lo que es de Dios y al prójimo lo que es del prójimo: ésta es la virtud de justicia. La paz reinará a través de ella.
Sin embargo, dice entonces San Pío X:
«Sabemos que no son pocos los que, llevados por sus ansias de paz, de tranquilidad y de orden, se unen en grupos y facciones que llaman “de orden”. ¡Oh, esperanza y preocupaciones vanas!»
Pero, ¿el “partido del orden”, no es el de la Iglesia? Para San Pío X eso no basta:
«El partido del orden que realmente puede traer una situación de paz después del desorden es uno sólo: el de los que están con Dios. Así pues, éste es necesario promover y a él habrá que atraer a todos, si son impulsados por su amor a la paz».
Son cosas que ya no se escuchan ahora. El Papa actual, en su discurso en París en la UNESCO 1, di-jo que el gran medio para restablecer la paz en el mundo consiste en dar a la conciencia el lugar que le corresponde y hacer que la gente “tome conciencia” del peligro en que se halla el mundo si no se hacen esfuerzos para restablecer la paz. De nada vale “concientizar” como se dice hoy, si no se da el remedio, y el único remedio es la ley de Dios, el decálogo, que es la base de toda civilización humana y cristiana.
San Pío X no duda en decir:
«Esta vuelta de todas las naciones del mundo a la majestad y el imperio de Dios, nunca se produ-cirá, sean cuales fueren nuestros esfuerzos, si no es por Jesucristo (nunquam nisi per Jesum Chris-tum eveniet) ».
Está muy claro.
«Pues advierte el Apóstol: Nadie puede poner otro fundamento, fuera del que está ya puesto, que es Cristo Jesús (1 Cor. 3, 11). Evidentemente es el mismo a quien el Padre santificó y envió al mundo (Jn. 10, 36); el esplendor del Padre y la imagen de su sustancia (Heb. 1, 3). Dios verdadero y verdadero hombre: sin el cual nadie podría conocer a Dios como se debe; pues nadie conoce al Padre sino el Hijo y aquel a quien el Hijo quisiera revelárselo (Mat. 11, 27)».
Cristo es Dios
Para San Pío X la consecuencia es que:
«...instaurar todas las cosas en Cristo y hacer que los hombres vuelvan a someterse a Dios es la misma cosa».
Cristo es Dios. Es algo que parece sencillo, y sin embargo es lo que siempre niegan tantos adver-sarios de Nuestro Señor y católicos que no tienen una fe viva, pues estos últimos no lo consideran en su vida ni en todos sus modos de obrar como si fuera Dios. Evidentemente, el misterio de Dios encarnado es muy grande. Es más fácil ver en Jesucristo lo que tiene de hombre, porque Dios se es-conde tras su humanidad. Sin embargo, no hay dos personas en Nuestro Señor Jesucristo sino una sola, la del Verbo: et Verbum caro factum est. El Verbo es Dios que ha tomado carne. De modo que si El es realmente Dios, tenemos que honrarlo como a Dios, obedecerle como a tal y procurar que venga a nosotros su reino.
«Con El al frente, pronto volverá la humanidad al mismo Dios. A un Dios, que no es aquél des-piadado, despectivo para los humanos que han imaginado en sus delirios los materialistas, sino el Dios vivo y verdadero, uno en naturaleza, trino en personas, Creador del mundo, que todo lo prevé con suma sabiduría, y también Legislador justísimo que castiga a los pecadores y tiene dispuesto el premio a los virtuosos».
Así surge la siguiente pregunta:
«¿Cuál es el camino para llegar a Cristo? Lo tenemos ante los ojos: la Iglesia. Por eso, con razón, dice el Crisóstomo: Tu esperanza la Iglesia, tu salvación la Iglesia, tu refugio la Iglesia. Pues para eso la ha fundado Cristo, y la ha conquistado al precio de su sangre; y a ella encomendó su doctrina y los preceptos de sus leyes, al tiempo que la enriquecía con los generosísimos dones de su divina gracia para la santidad y la salvación de los hombres».
Ir a Jesucristo por medio de la Iglesia
De modo que por la extensión de la Iglesia católica nos santificaremos, honraremos a Nuestro Se-ñor y su reino vendrá a nosotros. No hay otro medio. Para eso precisamente luchamos nosotros. Queremos mantener la Iglesia como ha sido siempre, para transmitir Nuestro Jesucristo a las almas, tal como ha querido darse siempre, es decir, por la Iglesia, por la fe de la Iglesia y por su gracia.
Sigamos la lectura:
«Ya veis, Venerables Hermanos, cuál es el oficio que en definitiva se confía tanto a Nos como a vosotros: que hagamos volver a la sociedad humana, alejada de la sabiduría de Cristo, a la doctrina de la Iglesia. Verdaderamente la Iglesia es de Cristo y Cristo es de Dios».
El orden que Dios quiere
«Ahora bien, para que el éxito responda a los deseos, es preciso intentar por todos los medios y con todo esfuerzo arrancar de raíz ese crimen cruel y detestable, característico de esta época: el afán que el hombre tiene por colocarse en el lugar de Dios».
¿Cómo no pensar aquí en las novedades del Concilio Vaticano II? Lo que nos llama la atención es precisamente el papel del hombre en relación con Dios. Es algo así como la religión del hombre. La nueva misa destaca sobre todo al hombre; es una misa democrática. Mientras que la Misa de la Tra-dición, la que nosotros decimos todos los días, es una misa jerárquica: Dios, Cristo, la Iglesia, en la persona del obispo y del sacerdote; luego los fieles, en los cuales también hay una jerarquía. En otro tiempo se hacía una distinción entre los príncipes y magistrados —que tienen una autoridad y, por lo tanto, comparten la autoridad de Nuestro Señor, puesto que toda autoridad viene de Dios—, y el pueblo fiel.
No son ideas de la edad media, sino simplemente la jerarquía tal como será en el Cielo: allí estará Dios y después la jerarquía de los ángeles, y lo mismo entre los santos. Todo esto es normal; Dios ha querido que participemos en mayor o menor grado de su gloria.
Veamos en esto una oportunidad para ejercitar la caridad, ya que como algunos tienen menos do-nes y otros más, así nacen comunicaciones entre los hombres en este mundo, como entre los ángeles y santos en el Cielo.
En cambio, según los errores modernos todos los hombres son iguales. Son una masa uniforme, y quien da la autoridad es el hombre. El hombre reemplaza a Dios. Dios ya no existe.
San Pío X recuerda el orden que Dios quiere para la sociedad:
«Habrá que devolver su antigua dignidad a los preceptos y consejos evangélicos; habrá que pro-clamar con más firmeza las verdades transmitidas por la Iglesia, toda su doctrina sobre la santidad del matrimonio, la educación doctrinal de los niños, la propiedad de bienes y su uso, los deberes para y con quienes administran el Estado; en fin, deberá restablecerse el equilibrio entre los distin-tos órdenes de la sociedad, la ley y las costumbres cristianas. Nos, por supuesto, secundando la vo-luntad de Dios, nos proponemos intentarlo en nuestro pontificado y lo seguiremos haciendo en la medida de nuestras fuerzas».
Este es el programa de San Pío X: instaurar todas las cosas en Cristo, volver a colocar a Dios en la sociedad por medio de la Iglesia, restablecer el orden en la sociedad por medio de las institucio-nes cristianas que la Iglesia ha defendido y enseñado siempre.
Formar sacerdotes
Enseguida, el Papa se dirige a los obispos. ¿Cuál es su oficio? ¿Qué tienen que hacer para alcan-zar este reinado de Nuestro Señor Jesucristo? ¿Qué medios conviene emplear para conseguir un fin tan elevado?
«Ya apenas es necesario hablar de los medios que nos pueden ayudar en semejante empresa, puesto que están tomados de la doctrina común. De vuestras preocupaciones, sea la primera formar a Cristo en aquéllos que por razón de su oficio están destinados a formar a Cristo en los demás. Pienso en los sacerdotes, Venerables Hermanos. Que todos aquellos que se han iniciado en las ór-denes sagradas sean conscientes de que, en las gentes con quienes conviven, tienen asignada la mi-sión que Pablo declaró haber recibido con aquellas palabras llenas de cariño: Hijitos míos, por quienes sufro de nuevo dolores de parto hasta ver a Cristo formado en vosotros (Gal. 4, 19)».
Así que es necesario pensar en los seminarios:
«[Al sacerdote] se le denomina otro Cristo no sólo por la participación de su potestad, sino por-que imita sus hechos, y de este modo lleva impresa en sí mismo la imagen de Cristo».
San Pío X exhorta a los obispos: “¿Cuál tiene que ser vuestra principal ocupación? Los sacerdo-tes”. Es algo normal. ¿Qué sería la Iglesia sin sacerdotes, sin auténticos y santos sacerdotes? Noso-tros nos dirigimos hacia esa catástrofe mucho más que en tiempos de San Pío X… Si él volviese, insistiría aún mucho más sobre este punto. Ahora los sacerdotes ya no tienen el espíritu del sacerdo-cio, ni predican el Evangelio ni el verdadero catecismo, o lo que es peor: se casan. Casi no hay se-minaristas, o no se los forma bien. ¿Qué puede producir esta situación?
Multiplicar los seminarios
Insisto: la primera preocupación de los obispos tiene que ser la formación de verdaderos sacerdo-tes. No hubiéramos podido elegir mejor Patrón para la Fraternidad que San Pío X. Como la situa-ción actual es peor que cuando vivía este Papa santo, a mí, que siendo obispo y no teniendo oficial-mente ningún cargo, me pareció que lo mejor que podía hacer por la Iglesia y para la restauración del reinado de Nuestro Señor Jesucristo en la Iglesia y en la sociedad, era formar sacerdotes, y por lo tanto, abrir seminarios y preparar formadores de sacerdotes.
Hay que multiplicar los seminarios. Esta es la primera finalidad de la Fraternidad Sacerdotal San Pío X. Haría falta un seminario en Canadá, otro en Méjico, en Colombia, en Australia y en Africa del Sur; lo mismo en Irlanda, en Inglaterra y en todas partes… 2 Hacen falta sacerdotes, y no cua-lesquiera, para renovar la Iglesia y restaurar el reinado social de Nuestro Señor Jesucristo.
A veces se oye decir: “La situación está cambiando y el número de los seminaristas aumenta; por ejemplo: en el seminario de Paderborn, acaban de entrar 39 seminaristas el año pasado; en Habs-burgo, 25; en un seminario nuevo de Argentina, un obispo ha procurado restablecer un poco la tra-dición y muchos jóvenes se sienten atraídos por el uso del latín y por cierta disciplina”…
Sin embargo, hay que ver de cerca qué tipo de filosofía se les enseña, qué liturgia se emplea e in-cluso qué disciplina general tienen. A esos jóvenes seminaristas no se les enseña la filosofía esco-lástica, que sigue siendo la verdadera filosofía de la Iglesia, sino una historia de la filosofía (es de-cir: todas las filosofías), pero no se aprenden los verdaderos principios de la filosofía. Lo mismo su-cede con la teología; se estudia sobre todo apologética y Sagrada Escritura. De modo que esos sa-cerdotes no sólo no se forman sino que se deforman.
Hace poco vino a vernos a nuestro seminario de Zaitzkofen un profesor de Paderborn, y nos dijo: “Es verdad que tenemos seminaristas y que cuando llegan vienen con muy buenas disposiciones y con deseos de aprender la Verdad, pero al cabo de uno o dos años se dan cuenta de que se les de-forma completamente y de que no se les enseña lo que habían venido a aprender; entonces se des-animan, pierden la noción de la verdad y se van a otras partes”.
Otro ejemplo: el seminario de Regensburg (Ratisbona) se consideraba hasta hace poco tiempo como el seminario tradicionalista en Alemania y Mons. Graber era considerado también como tra-dicionalista, pues había escrito un librito “reaccionario” contra algunas posturas del Concilio. Yo lo fui a visitar y ¿qué me dijo? —“Sí, tengo seminaristas; he ordenado a 18 sacerdotes este año y voy a tener aún más vocaciones”… —“Entonces —le pregunté yo— ¿está Vd. contento?” —“No tanto —me dijo— pues muchos seminaristas no asisten a la misa de la mañana y muchos de ellos llevan el pelo largo hasta los hombros”…
Con todo, nosotros nos alegraríamos y daríamos gracias a Dios si hubiese seminarios que empeza-sen a volver al buen camino, pero no sucede así. Conforme va pasando el tiempo tardará aun menos profesores que conozcan la filosofía de santo Tomás o la auténtica teología. Por esto, una buena parte de los seminaristas de la Fraternidad San Pío X estarán destinados a su vez a ser profesores en nuestros seminarios. Formar santos sacerdotes es algo absolutamente indispensable.
San Pío X nos invita encarecidamente:
«En esta situación, ¡qué cuidado debéis poner, Venerables Hermanos, en la formación del clero para que sean santos! Es necesario que todas las demás tareas que se os presentan, sean cuales fue-ren, cedan ante ésta. Por eso, la parte mejor de vuestro celo debe emplearse en la organización y el régimen de los seminarios sagrados, de modo que florezcan por la integridad de su doctrina y por la santidad de sus costumbres. Cada uno de vosotros guarde para el Seminario las delicias de su cora-zón, sin omitir para su buena marcha nada de lo que estableció con suma prudencia el Concilio de Trento.
Cuando llegue el momento de tener que iniciar a los candidatos en las órdenes sagradas, por fa-vor no olvidéis la prescripción de Pablo a Timoteo: A nadie impongas las manos precipitadamente (1 Tim. 5, 22). Considerad con atención que de ordinario los fieles serán tal cual sean aquéllos a quienes destinéis al Sacerdocio. Por tanto, no tengáis la mira puesta en vuestra propia utilidad; mi-rad únicamente a Dios, a la Iglesia y la felicidad eterna de las almas, no sea que, como advierte el Apóstol, tengáis parte en los pecados de otros (id.)».
Desvelo con los jóvenes sacerdotes
Tampoco no hay que descuidar a los nuevos sacerdotes cuando salen del seminario:
«Que los sacerdotes principiantes y los recién salidos del seminario no echen de menos vuestros cuidados. A éstos —os lo pedimos con toda el alma—, atraedlos con frecuencia hasta vuestro cora-zón, que debe alimentarse del fuego celestial, encendedlos, inflamadlos de manera que anhelen sólo a Dios y el bien de las almas. Nos ciertamente, Venerables Hermanos, proveeremos con la mayor diligencia para que estos hombres sagrados no sean atrapados por las insidias de esta ciencia nueva y engañosa que no tiene el buen olor de Cristo y que, con falsos y astutos argumentos, pretende im-pulsar los errores del racionalismo y el semirracionalismo; contra esto ya el Apóstol precavía a Timoteo cuando le escribía: Guarda el depósito que se te ha confiado, evitando las novedades pro-fanas y las contradicciones de la falsa ciencia que algunos profesan extraviándose de la fe (1 Tim. 6, 20)».
Hay que cuidar a los sacerdotes recién ordenados:
«Nos tenemos una gran tristeza y un dolor continuo en el corazón (Rom. 92, 2) al comprobar que es aplicable a nuestra época aquella lamentación de Jeremías: Los pequeños pidieron pan y no había quien se lo partiera (Lam. 4, 4). No faltan en el clero quienes, de acuerdo con sus propias cualidades, se afanan en cosas de una utilidad quizá no muy definida, mientras, por el contrario, no son tan numerosos los que, a ejemplo de Cristo, aceptan la voz del Profeta: El Espíritu me ungió, me envió para evangelizar a los pobres, para sanar a los contritos de corazón, para predicar a los cautivos la libertad y a los ciegos la recuperación de la vista (Luc. 4, 18-19)»
Supongo que el Papa en ese momento, al decir que muchos sacerdotes empleaban su tiempo en cosas muy ajenas al ejercicio de su ministerio, a la enseñanza del catecismo, a la administración de los sacramentos, etc., se acordaba de su diócesis.
¿Qué podría decirse hoy? ¿Dónde hay una parroquia en que el sacerdote esté en el confesionario esperando a los penitentes? Hay que ir a la casa parroquial; el sacerdote ha salido o no tiene tiem-po… y los fieles no se atreven a insistir y no se confiesan.
San Pío X insistió siempre en que la primera ocupación del sacerdote es la de enseñar el catecis-mo. Los sacerdotes de ahora dicen: “No; esa no es mi obligación, sino la de los padres”… Por su-puesto que los padres tienen que enseñar a sus hijos los rudimentos del catecismo y está muy bien. Pero el sacerdote es quien tiene la ciencia para impartir la enseñanza religiosa, no para pronunciar grandes discursos filosóficos a un grupito de gente selecta, sino para tener las aptitudes para trans-mitir la ciencia religiosa a los niños y a las personas sencillas. Existe el peligro de dejarse absorber por ciencias muy especulativas y no adaptarse a toda gente. Hay que saber adaptar la ciencia que hemos recibido a las personas a quienes nos corresponde enseñar.
Eso mismo es lo que dice San Pío X:
«La enseñanza de la religión es el camino más importante para replantar el reino de Dios en las almas de los hombres».
Y añade:
«¡Cuántos son los que odian a Cristo, los que aborrecen a la Iglesia y al Evangelio más por igno-rancia que por maldad! De ellos podría decirse con razón: Blasfeman de todo lo que desconocen (Jud. 10)… Precisamente de aquí procede la falta de fe de muchos. Pues no hay que atribuir la falta de fe a los progresos de la ciencia, sino más bien a la falta de ciencia; de manera que donde mayor es la ignorancia, más evidente es la falta de fe. Por eso Cristo mandó a los Apóstoles: Id y enseñad a todas las gentes (Mat. 28, 19)».
Una caridad paciente
San Pío X pide luego a los obispos que procuren que los sacerdotes se ejerciten en la caridad:
«Para que el trabajo y los desvelos de la enseñanza produzcan los esperados frutos y en todos se forme Cristo, quede bien grabado en la memoria, Venerables Hermanos, que nada es más eficaz que la caridad».
El consejo que da aquí tiene mucha importancia. Consideremos las dificultades que han sufrido los tradicionalistas en sus parroquias… Los sacerdotes que no tienen caridad tienden a juzgar a los hombres tal como tendrían que ser y no tal como son, y cierran sus ojos a la realidad. Si un joven sacerdote entra en contacto con las almas habiendo establecido categorías en su mente, teniendo el prejuicio de que los cristianos tienen que ser de tal o cual modo, no puede recibir al pecador que acude a él —y todos somos pecadores— como médico —médico del alma — sino como juez, y así condena, reprende y corrige al penitente. El resultado es que la gente se aleja de él. ¡Imaginaos que en un hospital diga el médico: “Todos estáis demasiado enfermos; no os puedo cuidar a todos; vues-tro único remedio es morir”! O bien, otro médico que sólo adopta medios extremados: “¡Hay que cortar la pierna!” Este último médico quizá sabe analizar pero no tiene sentido para diagnosticar, ese sentido que tenían los médicos rurales, pues enseguida sabían adivinar la enfermedad; ¡todo el mundo los quería!
Así pues, los sacerdotes tienen que mostrarse como médicos de almas. San Pío X lo dice y lo ex-plica:
«Quede bien grabado en la memoria, Venerables Hermanos, que nada es más eficaz que la cari-dad. Pues el Señor no está en la agitación (3 Rey. 19, 11). Es un error querer atraer a las almas a Dios con un celo amargo; es más, increpar con acritud los errores, reprender con vehemencia los vicios, a veces es más dañoso que útil. Ciertamente el Apóstol exhortaba a Timoteo: Arguye, exige, increpa, pero añadía, con toda paciencia (in omni patientia) (2 Tim. 4, 2)».
«También en esto Cristo nos dio ejemplo: Venid, así leemos que El dijo, venid a Mí todos los que trabajáis y estáis cargados y Yo os aliviaré (Mat. 11, 28). Entendía por los que trabajaban y esta-ban cargados no a otros, sino a quienes están dominados por el pecado y el error. ¡Cuánta manse-dumbre en aquel Divino Maestro! ¡Qué suavidad, qué misericordia con los atormentados! Isaías describió exactamente Su corazón con estas palabras: Pondré mi espíritu sobre él; no gritará, no hablará fuerte; no romperá la caña cascada, ni apagará la mecha que todavía humea (Is. 42, 1). Y es preciso que esta caridad, paciente y benigna (1 Cor. 13, 4) se extienda tanto a aquellos que nos son hostiles como a los que nos siguen con animosidad. Somos maldecidos y bendecimos, así hablaba Pablo de sí mismo, padecemos persecución y la soportamos; difamados, consolamos (1 Cor. 4, 12)».
«Quizá parecen peores de lo que son. Pues con el trato, los prejuicios, los consejos y ejemplos de los demás, y en fin con el mal consejero del amor propio se han pasado al campo de los impíos. Sin embargo, su voluntad quizás no es tan depravada como pueden aparentar».
No hay que sacar conclusiones precipitadas
La dureza es mala consejera. Siempre saca conclusiones exageradas de cualquier cosa que se dice. Siempre interpreta las palabras de los demás en su sentido más duro. Por ejemplo, hay personas que dicen: “El Papa ha dicho tal cosa, por lo tanto es un hereje, y por lo tanto ya no es Papa”… Ese es un razonamiento simplista; basta sacar una frase de su contexto para concluir: “Es un hereje”.
Para ser hereje hay que ser pertinaz en el error y no basta con haber pronunciado una frase heréti-ca. Por ejemplo, sobre el tema de la Santísima Trinidad —tema que es muy difícil— todos nosotros podemos equivocarnos, expresándonos incorrectamente y decir algo que no sea muy ortodoxo. Si alguien nos lo señala, lo corregimos. ¡Pero qué horrible sería si alguien nos acusase enseguida de herejía y excomunión!
Algunos no dudan en sacar conclusiones increíbles: “Ese ha dicho tal frase, así que es un liberal, y si es un liberal, seguro que es un masón; por lo tanto está excomulgado”… ¡Con semejantes razo namientos todo el mundo sería masón!
Es muy peligroso dejarse llevar por conclusiones precipitadas. Respecto al Papa, a veces se oye decir: “Firmó el documento sobre la libertad religiosa y ese decreto es herético, así que el Papa es un hereje y ya no es Papa”… En primer lugar se tendría que estudiar de manera muy exacta si ese decreto es herético; después preguntarse si el Papa era perfectamente consciente de lo que firmaba. Se sabe que él mismo hizo añadir algunas frasecitas para decir: “El decreto de la libertad religiosa es conforme a la Tradición”. Por supuesto que eso no es cierto, pero él lo creía así en su pensamien-to. Así que no se puede concluir con demasiada rapidez, porque las consecuencias serían demasiado graves.
Algunos dicen: “No hay Papa”. De modo que los cardenales que ha nombrado no son tales, y cuando estos mismo elijan un nuevo Papa, no lo será porque los cardenales no lo son en realidad… ¿Hasta donde van a parar? ¿Quién va a nombrar al próximo Papa? ¿La Providencia? Sí, pero la Pro-videncia emplea a los hombres. Es meterse en un agujero negro. Ahí es donde vienen a parar las conclusiones precipitadas.
Cómo no extrañarnos de que los fieles vayan a otras partes: al Palmar de Troya —donde ahora Clemente se ha hecho Papa, con toda su corte de cardenales— o a la iglesia latina de Tolosa, o a otros lugares… Se les obliga a buscar una autoridad y terminan en las sectas, rompiendo completa-mente con la Iglesia.
Hay que tener mucho cuidado y ser muy prudentes antes de afirmar algo. A los que hablan de ese modo les falta el espíritu de caridad, y por consecuencia, el realismo. Son idealistas y razonadores especulativos.
El sacerdote es médico de almas
El sacerdote es médico de almas. Cuando hay que examinar los pecados de alguien hay que con-siderar, por supuesto, el pecado en sí mismo, es decir, si la acción cometida es un pecado grave; pe-ro puede ser que el penitente no sea culpable subjetivamente. Por ejemplo: si quizás no sabía que lo que hacía era un pecado grave, o fue presionado, condicionado, o estaba en un momento en que no era consciente de lo que hacía. Hay que examinar todas estas circunstancias, porque juzgar las cosas sin estudiarlas, no sería realista. Insisto otra vez en que el sacerdote es médico de almas. Tiene que preguntar al penitente que le viene a pedir consejo cómo sucedió eso, cómo pudo ponerse en tal si-tuación, etc. Deje que primero se explique, para poder darle luego el remedio. Es algo muy impor-tante. Desde el seminario hay que tratar de adquirir la virtud de prudencia, y no endurecerse ni ence-rrarse en razonamientos en que uno mismo se extravía o puede extraviar a los demás.
La acción católica
San Pío X pasa luego al tema de los medios que hay que emplear:
«No es mi intención que, en todo este esfuerzo tan arduo para restituir en Cristo a todas las gen-tes, no contéis vosotros y vuestro clero con ninguna ayuda. Sabemos que Dios ha dado mandatos a cada uno referentes al prójimo (Eclo. 17, 12)».
El Papa pide aquí que no se descuide la acción católica, es decir, las asociaciones de fieles que ayudan al sacerdote a difundir la enseñanza que supone la vida cristiana:
«Así que trabajar por los intereses de Dios y de las almas es propio no sólo de quienes se han de-dicado a las funciones sagradas, sino también de todos los fieles: y ciertamente cada uno, no de acuerdo con su iniciativa y su talante, sino siempre bajo la guía y las indicaciones de los Obispos (…) Que los católicos formen asociaciones, con diversos propósitos pero siempre para bien de la religión, Nuestros Predecesores desde ya hace tiempo las aprobaron y las sancionaron dándoles gran impulso. Y Nos no dudamos de honrar esa egregia institución con nuestra alabanza y desea-mos ardientemente que se difunda y florezca en las ciudades y en los medios rurales».
«Sin embargo, de semejantes asociaciones Nos esperamos ante todo y sobre todo que cuantos se unen a ellas vivan siempre cristianamente».
Para conocer bien las ideas de San Pío X sobre la acción católica, hay que referirse a la alocución que pronunció el 25 de septiembre de 1904, donde pide que la Acción Católica esté presidida por tres principios: piedad, estudio y acción. Conocemos grupos como la Juventud Estudiante Católica (JEC), la Juventud Obrera Católica (JOC), la Juventud Agrícola Católica (JAC) que nacieron por iniciativa de un sacerdote belga, el P. Cardijn, que luego fue cardenal. El lema de éste sacerdote era: ver, juzgar y obrar.
Es muy distinto de lo que proponía San Pío X: piedad, estudio y acción. La piedad, por decirlo de algún modo, provee al estudio, según los principios de la religión católica; y luego la acción, a la que gobiernan la piedad y el estudio. Mientras que en el lema ver, juzgar y obrar, primero se pone ver, que es una acción, es decir, comportarse como una persona que se dedica a cualquier otra cosa: empezar por ver y juzgar, y después obrar. ¿Cómo se pueden ver así las cosas? ¿Cómo se pueden juzgar? ¿Cómo va a estar dirigida su acción?
Cuando yo era arzobispo de Dakar, me acuerdo que visité grupos de la JOC y les hice ver el peli-gro de este lema. Por ejemplo: se ve que algo no funciona en el trabajo, luego se juzga: ¿por qué hay algo que no funciona? ¿cuál es la causa?: la autoridad, es decir, el jefe. Y entonces se obra: hay que luchar contra él. Lo mismo en la parroquia: si algo no funciona bien, la culpa es del párroco, así que hay que luchar contra él. De este modo se cae en el principio revolucionario. Para los jóvenes, nunca sucede nada por culpa suya. ¡La culpa es siempre de la autoridad!
Esto explica cómo los movimientos de la acción católica, que en un principio tenían muy buenas intenciones, acabaron convirtiéndose en asociaciones revolucionarias. ¿Qué puede haber de más re-volucionario que la Acción Católica Obrera (ACO)?: “Toda la culpa es de la sociedad”, así que hay una rebelión contra ella y un deseo de cambiar sus estructuras. Es la revolución generalizada…
En primer lugar la piedad
Es muy importante volver a los auténticos principios de la acción católica, en primer lugar la pie-dad, y antes que nada, rezar y pedir la gracia a Dios. Luego, estudiar las enseñanzas de la Iglesia pa-ra obrar según los principios de una acción realmente católica. Este es el orden normal. San Pío X continúa:
«Muchos ejemplos luminosos de éstos por parte de los soldados de Cristo, tendrán más valor pa-ra conmover y arrebatar las almas que las exquisitas disquisiciones verbales: y será fácil que, re-chazado el miedo y libres de prejuicios y de dudas, muchos vuelvan a Cristo y difundan por do-quier su doctrina y su amor; todo esto es camino para una felicidad auténtica y sólida».
El resultado:
«Si se vive de acuerdo con las normas de vida cristiana, Venerables Hermanos, ya no habrá que hacer ningún esfuerzo para que todo se instaure en Cristo… También ayudará todo ello, y en grado máximo, a los intereses públicos de las naciones. Pues, una vez logrados esos objetivos, los próce-res y los ricos asistirán a los más débiles con justicia y con caridad, y éstos a su vez llevarán en calma y pacientemente las angustias de su desigual fortuna; los ciudadanos no obedecerán a su am-bición sino a las leyes; se aceptará el respeto y el amor a los príncipes y a cuantos gobiernan el Es-tado, cuyo poder no procede sino de Dios (Rom. 13, 1). ¿Qué más? Entonces, finalmente, todos tendrán la persuasión de que la Iglesia, por cuanto fue fundada por Cristo, su creador, debe gozar de una libertad plena e íntegra».
San Pío X, antes de acabar, expresa un deseo:
«Que Dios, rico en misericordia (Efes. 2, 4), acelere benigno esta instauración de la humanidad en Cristo Jesús; porque ésta es una tarea no del que quiere ni del que corre sino de Dios que tiene misericordia (Rom. 9, 16). Y nosotros, Venerables Hermanos, con espíritu humilde (Dan. 3, 39), con una oración continua y apremiante, pidámoslo por los méritos de Jesucristo».
Y después se vuelve hacia la Santísima Virgen:
«Utilicemos ante todo la intercesión poderosísima de la Madre de Dios… y os animamos tam-bién a tomar como intercesores al castísimo Esposo de la Madre de Dios, patrono de la Iglesia cató-lica, y a San Pedro y San Pablo, príncipes de los apóstoles».
Al final, el Papa imparte su bendición apostólica.
Esta es la encíclica tan hermosa de San Pío X que resume un poco todas las encíclicas de los Pa-pas y todo lo que ellos enseñaron antes que él. Hace hincapié en lo más importante: «Instaurare omnia in Christo». Hoy, lo mismo que en su tiempo, ésta es la finalidad del sacerdocio.
1 2 de junio de 1980.
2 En 2002, la Fraternidad Sacerdotal San Pío X ya tiene 6 seminarios:
- Seminario San Pío X (Ecône, CH-1908 Riddes, Suiza);
- Seminario Santo Cura de Ars (Maison Lacordaire, 21150 Flavigny sur-Ozerain, Francia);
- Seminario Saint Thomas Aquinas (Route Rurale 1, Box 97, A-1-USA Winona, Minnesota 55987, U.S.A.);
- Seminario Nuestra Señora Corredentora (La Reja, c.c. 308, 1744 Moreno, Argentina);
- Seminario Holy Cross (P.O. Box 417, Goulburn, N.S.W. 2580, Australia);
- Seminario Herz Jesu (Zaitzkofen, 8306 Shierling, Alemania).
Fonte: Stat Veritas
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
CARTA PASTORAL
“Aggiornamento” e Tradição
DOM ANTÔNIO DE CASTRO MAYER
Confronto entre os conceitos de “aggiornamento” e de Tradição
EM 21 DE NOVEMBRO do ano passado, em Circular dirigida aos Nossos caríssimos Sacerdotes, procuramos, uma vez mais, avivar neles e nos fiéis a vigilância contra os perigos, a que um falso “aggiornamento” expõe a integridade da Fé e a pureza dos costumes cristãos. Já em documentos anteriores Nos ocupamos das tentações a que está exposta a vossa fé, amados filhos, e vos exortamos à vigilância e à oração. Na Circular de 21 de novembro, referíamo-Nos, especialmente, à reverência devida aos Santos Sacramentos, com que damos público testemunho de nossa fé nos mistérios que adoramos. Salientávamos, então, a importância da advertência, à vista de ser a fé indispensável para a salvação, pois, sem ela é impossível agradar a Deus – “sine fide impossibile est placere Deo” (Heb. 11, 6).
Em 8 de dezembro do mesmo ano passado, na ocorrência do quinto aniversário do encerramento do II Concílio do Vaticano, o Santo Padre, Paulo VI, em memorável Exortação, encarecia aos Bispos católicos do mundo inteiro a obrigação de cuidar da ortodoxia no ensino da doutrina católica.
Eis, pois, amados filhos, que não eram vãos os Nossos temores. Os males que receamos em Nossa diocese, de fato, ameaçam os fiéis do mundo todo. Aliás, não teria sentido a Exortação pontifícia, dirigida a todos os Bispos católicos da terra. I
Dever do Bispo: velar pela ortodoxia.
Dada a importância capital da matéria – a pureza da Fé – e a obrigação que Nos incumbe de bem apascentar as ovelhas de Cristo que Nos foram confiadas, julgamos de Nosso dever voltar ao assunto, comunicando ao Nosso rebanho as apreensões e admoestações do Papa. A tanto Nos convida o mesmo Pontífice, pois recorda que, a todos aqueles que receberam “pela imposição das mãos; a responsabilidade de guardar puro e intacto o depósito da Fé e a missão de anunciar o Evangelho sem desleixo” (A.A.S., 63, p. 99), impõe-se dar testemunho de sua fidelidade ao Senhor, na pregação, no ensino, no teor de vida.
De outro lado, ao direito imprescritível que tem o fiel de receber o ensinamento sagrado, corresponde aos Bispos “o dever grave e urgente de anunciar infatigavelmente a Palavra de Deus, para que o povo cresça na fé a na inteligência da Mensagem cristã” (p. 100).
Profunda crise da fé no seio da Igreja
Semelhante ofício do múnus episcopal é, hoje, mais imperioso, porque lavra no seio da Igreja uma crise generalizada e sem precedentes, como atesta a presente Exortação Apostólica, crise de autodemolição como a denomina o Papa, porque, conduzida por membros da Igreja, abala profundamente a consciência na Religião.
Afirma, com efeito, Paulo VI, no Documento que estamos a apresentar, que hoje “muitos fiéis se sentem perturbados na sua fé por um acumular-se de ambigüidades, de incertezas e de dúvidas, que atingem essa mesma fé no que ela tem de essencial. Estão neste caso os dogmas trinitário e cristológico, o mistério da Eucaristia e da Presença Real, a Igreja como instituição de salvação, o ministério sacerdotal no seio do Povo de Deus, o valor da oração e dos Sacramentos, as exigências morais que dimanam, por exemplo, da indissolubilidade do matrimônio ou do respeito pela vida. Mais: até a própria autoridade divina da Escritura chega a ser posta em dúvida, em nome de uma “desmitização radical” (p.99).
Como vedes, amados filhos, a crise na Igreja não poderia ser mais profunda. Lendo as palavras do papa, nós nos perguntamos: que ficou de intacto no Cristianismo? pois, se não há certeza sobre o dogma trinitário, mistério fundamental da Revelação cristã, se pairam ambigüidades sobre a Pessoa adorável do Homem-Deus, Jesus Cristo, titubeia-se diante da Santíssima Eucaristia, se não se entende a Igreja como instituição de salvação, se não se sabe a que o Sacerdote entre os fiéis, nem há segurança das obrigações morais, se a oração não tem valor, nem a Sagrada Escritura, que há de Cristianismo, de Revelação cristã? Compreendemos que o Papa se sinta impelido a excitar o zelo dos Bispos, apascentem com carinho, desvelo e firmeza, as ovelhas do Divino Pastor das almas.
Empenho por construir uma nova Igreja psicológica e sociológica.
Tanto mais, quanto a Exortação do Santo Padre deixa entrever que há uma verdadeira conspiração para demolir a Igreja. É o que se deduz do trecho seguinte ao acima citado, no qual o Pontífice observa que as dúvidas, ambigüidades e incertezas na exposição positiva do dogma, somam-se o silêncio “sobre certos mistérios fundamentais do Cristianismo” e a “tendência para construir um novo cristianismo a partir de dados psicológicos e sociológicos” no qual “a vida cristã esteja destituída de elementos religiosos” (p. 99).
Há, pois, entre os fiéis, um movimento de ação dupla convergente para a formação de uma nova Igreja, que só pode ser uma nova falsa religião: de um lado, criam-se incertezas sobre os mistérios revelados; de outro, estrutura-se uma vida cristã ao sabor do espírito do século.
II
Ocasião e causas da atual crise religiosa.
Como foi possível chegar-se a esse estado de coisas?
Paulo VI faz, a este propósito, duas considerações.
A primeira, sobre a finalidade especial que o Papa João XXIII propôs ao II Concílio do Vaticano, como aparece claramente na Alocução com que ele abriu a primeira Sessão do grande Sínodo: “Impõe-se que, correspondendo ao vivo anseio daqueles que se acham em atitude de sincera adesão a tudo o que é cristão, católico e apostólico, esta doutrina (cristã) seja mais ampla e profundamente conhecida e que as almas sejam por ela impregnadas e transformadas. É necessário que esta doutrina, certa e imutável e que tem de ser respeitada fielmente, seja aprofundada e apresentada de maneira a satisfazer as exigências da nossa época”. E explicitando melhor o seu pensamento, prossegue o Papa Roncalli: “Uma coisa é, efetivamente, o depósito da Fé em si mesmo, quer dizer, o conjunto das verdades contidas na nossa venerável doutrina, outra coisa é o modo como tais verdades são enunciadas, conservando sempre o mesmo sentido e o mesmo alcance” (p. 101).
Deveria o Concílio, e, em conseqüência, o Magistério Eclesiástico, com o concurso dos teólogos, procurar aliar duas coisas, transmitir, sem engano ou diminuição, a doutrina revelada; e fazer um esforço por apresentá-la de modo a ser recebida íntegra e pura pelos homens de nosso tempo. Entende-se pelos homens de espírito reto, “aqueles que se acham em atitude de sincera adesão a tudo o que é cristão, católico e apostólico”, como diz João XXIII. Portanto pelos homens realmente desejosos de chegar à verdade; pois, aos que preferem as máximas deste mundo, e, por isso, rejeitam a cruz de Cristo, aplicam-se as palavras de São Paulo: é impossível uma união entre a luz e as trevas, entre a justiça e a iniqüidade, entre Cristo e Belial (cf. 2 Cor. 6, 14 s.).
Eis em que consistia o “aggiornamento” do Papa Roncalli, na sua melhor interpretação: uma adaptação, na maneira de expor a doutrina católica, de sorte que possa atrair o homem moderno de espírito reto.
Tal empenho, nota Paulo VI, e é a sua segunda observação, não é fácil. Diz ele: “O magistério episcopal estava relativamente facilitado, numa época em que a Igreja vivia em estreita simbiose com a sociedade do seu tempo, inspirava a sua cultura e adotava os seus modos de exprimir-se; hoje, ao invés, é-nos exigido um esforço sério para que a doutrina da Fé conserve a plenitude do seu sentido e do seu alcance, ao expressar-se sob uma forma capaz de atingir o espírito e o coração dos homens aos quais ela se dirige” (PP. 101-102).
Característica da nova Igreja: a religião do homem.
Ou pela dificuldade do empreendimento, ou por uma concessão ao espírito do tempo, o fato é que, na execução do plano traçado pelo Concílio, em largos meios eclesiásticos, o esforço na adaptação foi além da simples expressão mais ajustada à mentalidade contemporânea. Atingiu a própria substância da Revelação. Não se cuida de uma exposição da verdade revelada, em termos em que os homens facilmente a entendam; procura-se, por meio de uma linguagem ambígua e rebuscada, mais propriamente, propor uma nova Igreja, ao sabor do homem formado segundo as máximas do mundo de hoje. Com isso, difunde-se, mais ou menos por toda parte, a idéia de que a Igreja deve passar por uma mudança radical, na sua Moral, na sua Liturgia, e mesmo na sua Doutrina. Nos escritos, como no procedimento, aparecidos em meios católicos após o Concílio, inculca-se a tese de que a Igreja tradicional, como existira até o Vaticano II, já não está à altura dos tempos modernos. De maneira que Ela deve transformar-Se totalmente.
E uma observação rápida, sobre o que se passa em meios católicos, leva à persuasão de que, realmente, após o Concílio, existe uma nova Igreja, essencialmente distinta daquela conhecida, antes do grande Sínodo, como única Igreja de Cristo. Com efeito, exalta-se, como princípio absoluto, intangível, a dignidade humana, a cujos direitos submetem-se a Verdade e o Bem. Semelhante concepção inaugura a religião do homem. Faz esquecer a austeridade cristã e a bem-aventurança do Céu. Nos costumes, o mesmo princípio olvida a ascética cristã, e tem toda a indulgência para o prazer mesmo sensual, uma vez que, na terra, é que o homem há de buscar a sua plenitude. Na vida conjugal e familiar, a religião do homem enaltece o amor e sobrepõe o prazer ao dever, justificando, a esse título, os métodos anticoncepcionais, diminuindo a oposição ao divórcio, e sendo favorável à homossexualidade e à co-educação, sem temer a seqüela de desordens morais, a ela inerentes, como conseqüência do pecado original. Na vida pública, a religião do homem não compreende a hierarquia, e propugna o igualitarismo próprio da ideologia marxista e contrário ao ensinamento natural e revelado, que atesta a existência de uma ordem social exigida pela própria natureza. Na vida religiosa, o mesmo princípio preconiza um ecumenismo que, em benefício do homem, congrace todas as religiões, preconiza uma Igreja sociedade de assistência social e torna ininteligível o sagrado, só compreensível em uma sociedade hierárquica. Daí, igualmente a secularização do Clero, cujo celibato se considera algo de absurdo, bem como o teor de vida sacerdotal singular, intimamente ligado ao seu caráter de pessoa consagrada, exclusivamente, ao serviço do altar. Em liturgia, rebaixa-se o Sacerdote a simples representante do povo, e as mudanças são tantas e tais que ela deixa de representar adequadamente, aos olhos do fiel, a imagem da Esposa do Cordeiro, una, santa, imaculada. É evidente que o relaxamento moral e a dissolução litúrgica não poderiam coexistir com a imutabilidade do dogma. Aliás, aquelas transformações já indicavam mudanças nos conceitos das verdades reveladas. Uma leitura dos novos teólogos, tidos como porta-vozes do Concílio, evidencia como, de fato, em certos meios católicos, as palavras, com que se enunciam os mistérios da Fé, envolvem conceitos totalmente diversos dos que constam da teologia tradicional.
Importância da filosofia escolástica
A exortação de Paulo VI fala na dificuldade de obter a renovação da roupagem, em que se transmitem aos homens de hoje os mistérios de Deus. E reconhece que foram as novas expressões para as verdades de Fé que trouxeram a angústia das incertezas, ambigüidades e dúvidas. Como foram os novos termos que facultaram, aos fautores de uma nova Igreja, a difusão de uma concepção nova e estranha da Religião cristã.
É de São Pio X a afirmação de que o abandono da escolástica, especialmente do tomismo, foi uma das causas da apostasia dos modernistas (Encíclica “Pascendi”). Após o Concílio Vaticano II, retorna a meios católicos o mesmo erro, a mesma ojeriza contra a filosofia que Leão XIII apelidou “singular presídio e honra da Igreja” (Encíclica “Aeterni Patris”).
De fato, um dos sofismas dos teólogos do novo cristianismo é acusar de aristotelismo a formulação dogmática tradicional, quando a Igreja não deve estar enfeudada a nenhum sistema filosófico. Acrescentam que semelhante formulação foi útil e válida ao seu tempo, ou seja, dentro do ambiente cultural da Idade Média. Hoje, porém, em meio cultural totalmente outro, ela já não tem valor. É antes nociva. Emperra o progresso dos fiéis, e é responsável pela descristianização do mundo atual. A Igreja, se quiser reviver, se quiser conservar sua perenidade, deve abandonar as fórmulas antigas e adotar outras, de acordo com a filosofia de hoje, o pensamento e a mentalidade contemporâneos. Só assim realizará Ela o ideal proposto por João XXIII e o Concílio Vaticano II. E, para não serem tidos como negligentes no seu papel de teólogos, passam à aplicação do princípio por eles mesmos estabelecido, e, às verdades reveladas vão dando formulações, dentro da concepção da filosofia contemporânea.
A falácia não é nova. Na antiguidade, outra coisa não fizeram os gnósticos que deturparam a Revelação, para enquadrá-la dentro da filosofia neoplatônica; no século passado, foi o hegelianismo que desvairou certos teólogos católicos. Os da nova Igreja desejam servir aos marxismo, existencialismo e às demais filosofias antropocêntricas, que pululam na angústia intelectual, característica de nossa época.
O vigor do tomismo
O engano, amados filhos, dos mentores do novo cristianismo está no esquecimento a que votam uma verdade de senso comum, sem a qual é inexplicável o conhecimento, impossível a ciência e a própria vida humana. Semelhante verdade de senso comum está na base de toda filosofia, que não seja mera construção arbitrária do espírito. Consiste na persuasão de que o conhecimento é determinado pelo objeto externo. Ele é verdadeiro, quando apreende a coisa como ela é; e é falso, quando destoa da realidade. Podem variar os sistemas filosóficos. Eles serão mais ou menos verdadeiros, na medida em que suas conclusões atendam ao princípio de senso comum acima enunciado.
No acatamento a semelhante princípio, encontra o tomismo todo o seu vigor. Salienta-o Leão XIII, quando diz que o tomismo é uma filosofia “solidamente firmada nos princípios das coisas” (Encíclica “Aeterni Patris”). Ou seja, não é sistema arbitrário, fruto da imaginação ou criação subjetiva do filósofo. Muito ao contrário, a filosofia tomista, curva-se sobre a realidade, para apreendê-la como ela é.
Quando enuncia seus dogmas, servindo-se dos termos usuais na escolástica, a Igreja não o faz porque tais expressões sejam de um sistema filosófico particular, e sim, porque pertencem à filosofia de todos os tempos.
Relativismo religioso e modernismo nos teólogos da nova Igreja
Já não procedem do mesmo modo os teólogos da nova Igreja. Não estão eles atentos à realidade, cuja expressão pode variar desde que, porém, a apresente como ela é. O que eles desejam é satisfazer à mentalidade moderna. Para eles, a atualização da Igreja está na adaptação de sua doutrina a essa mentalidade. E como o homem moderno formou seu pensamento num ambiente cultural todo voltado às aparências, aos fenômenos, e, além disso, avesso à metafísica, a Igreja para não soçobrar, dizem os novos teólogos, precisa acomodar sua doutrina a semelhante maneira de pensar. Não se percebe como tal atitude possa fugir ao erro modernista, segundo o qual, o dogma evolui de um para outro sentido, de acordo com as necessidades culturais da época em que é enunciado.
Imutabilidade e desenvolvimento da verdade revelada
Lembremos que a verdade revelada se comunica ao mundo em linguagem humana. Tal linguagem, embora inadequada, não é mero simbolismo; ela deve dizer, objetivamente, o que é o mistério de Deus, ainda que o não manifeste na sua riqueza inesgotável. Eis a razão por que as fórmulas dogmáticas não podem evoluir mudando de significado. A fé, uma vez transmitida, diz São Judas Tadeu, o é “uma vez por todas” (vers. 3). Ela é imutável e invariável. Não padece adições, subtrações, ou alterações. Pode esclarecer-se, não pode transformar-se. É como um ser vivo que se desenvolve e aperfeiçoa, porém, na mesma natureza, que faz com que o indivíduo seja sempre o mesmo.
Importância das fórmulas dogmáticas tradicionais
Por isso, é de suma importância manter as fórmulas que, constituídas na Igreja, sob a assistência do Espírito Santo, a Tradição, e os Concílios fixaram, para exprimir com exatidão o conceito revelado. Semelhante linguagem dogmática pode sofrer alterações acidentais, não pode ser modificada de todo em todo.
Ora, o que, sob o signo do “aggiornamento”, assistimos após o Concílio, em vários meios católicos, é o menosprezo tanto dos costumes como das fórmulas tradicionais. Demos um ou outro exemplo.
O Concílio de Nicéia, depois de anos de lutas contra os arianos, fixou, na palavra consubstancial, o conceito da unidade de essência das Três Pessoas Divinas. Hoje, em certos meios católicos, aquele termo é conscientemente abandonado. Daí, a incerteza, a dúvida que o Papa lamenta sobre os dogmas da Santíssima Trindade e do Divino Salvador. O Concílio de Trento, contra o simbolismo protestante, consagrou o vocábulo transubstanciação, para indicar a mudança total da substância do pão e da substância do vinho no Corpo e no Sangue de Jesus Cristo.
Semelhante palavra nos dá a idéia do que ocorre, objetivamente, sobre o altar, no momento da consagração da Santa Missa, e nos assegura a presença real e substancial de Jesus Cristo no Santíssimo Sacramento, mesmo depois de terminado o Santo Sacrifício. Como termo aristotélico, que não condiz com as correntes filosóficas atuais, a palavra transubstanciação é rejeitada pelos teólogos da nova Igreja. Substituem-na por outra – “transignificação”, “transfinalização” – dando razão à afirmação do Papa de que se põe em dúvida o “mistério da Santíssima Eucaristia e da Presença Real” (p. 99). Na ordem prática, eliminam-se os sinais de adoração, de respeito ao Santíssimo Sacramento, como a comunhão de joelhos, com véu, a bênção do Santíssimo, a visita ao Sacrário etc.
Subversão doutrinária
Se a palavra muda, e não é sinônima, naturalmente também o conceito se modifica. Estão no caso os novos termos dos teólogos “aggiornati”, cuja conseqüência é um abalo na própria Fé. Eis que a nova terminologia, de fato, introduz uma nova religião. Não estamos mais no Cristianismo autêntico. Aliás, as inovações não ficam apenas em troca de palavras. Vão mais longe. Na realidade, excitam uma subversão total na Igreja. Como a filosofia moderna sobreestima o homem, a quem faz juiz de todas as coisas, a nova Igreja estabelece, como dissemos, a religião do homem. Elimina tudo quanto possa significar uma imposição à liberdade ou uma repressão à espontaneidade humanas. Desconhece, assim, a queda original e extenua a noção do pecado. Não compreende “o sentido da renúncia evangélica” (p. 105), e propugna uma religião natural de base nas experiências “psicológicas e sociológicas” (p. 99).
III
Remédio para o mal: fidelidade à tradição
a. INDICAÇÃO DE PAULO VI
Como causa do aturdimento que sofrem os fiéis, angustiados porque já não têm mais certeza sobre o que devem crer e sobre como hão de agir, Paulo VI aponta o abandono da Tradição. De onde, o antídoto a tão profunda crise de linguagem, pensamento e ação, só encontramos na fidelidade à tradição.
O Documento de Paulo VI insiste sobre este ponto. As atuais circunstâncias, assim o Papa, exigem de nós maior esforço, para que “a palavra de Deus chegue aos nossos contemporâneos, na sua PLENITUDE, e para que as obras realizadas por Deus lhes sejam apresentadas SEM ADULTERAÇÃO, e com a intensidade do amor à verdade que os salve” (p. 98 – grifos nossos). Tão nobre incumbência só é exeqüível mediante a fidelidade à “Tradição ininterrupta que liga (nosso cristianismo) a Fé dos Apóstolos” (p. 99). Deve, pois, cada Bispo, na sua Diocese, estar atento por que os novos estudos “não venham a atraiçoar nunca a verdade e a CONTINUIDADE da doutrina da Fé” (p. 101 – grifo nosso). Aliás, todo o trabalho dos teólogos deve ser no sentido da “fidelidade à grande corrente da Tradição cristã” (p. 102), porquanto “a verdadeira Teologia se apóia sobre a palavra de Deus inseparável da Sagrada Tradição como sobre um fundamento perene” (p. 103).
Em resumo, Paulo VI sintetiza (p. 18) a norma do Magistério Eclesiástico na palavra de São Paulo: “ainda que alguém – nós ou um Anjo baixado do Céu – vos anunciasse um evangelho diferente do que temos anunciado, que ele seja anátema (Gal. 1, 8), e prossegue o Papa: “Não somos nós, com efeito, que julgamos a palavra de Deus: é ela que nos julga e que põe em evidência os nossos conformismos mundanos. A fraqueza dos cristãos, mesmo a daqueles que têm a função de pregar, não será jamais, na Igreja, motivo de edulcorar o caráter absoluto da palavra. Nunca será lícito cegar o gume de sua espada (cf. Heb. 4, 12; Apoc. 1, 16; 2, 16). À Igreja nunca será permitido falar de modo diverso do de Cristo, da santidade, da virgindade, da pobreza e da obediência” (p. 101).
b. EXEMPLO HISTÓRICO: NESTÓRIO E A SANTA MÃE DE DEUS
As palavras do Papa não poderiam ser mais claras, nem mais incisivas, como taxativas são as palavras do Apóstolo por ele citadas, aliás, elas não passam de um eco da maneira de agir da Igreja, sob o impulso vivificante do Espírito Santo. É fato largamente comentado em toda formação religiosa, o ocorrido com Nestório, Patriarca de Constantinopla. Transcrevemo-lo, aqui, segundo o narra D. Prosper Guéranger, na sua conhecida obra “L’Année Liturgique”, ao comentar a festa de São Cirilo de Alexandria, em 9 de fevereiro: “No próprio ano da sua eleição ao trono episcopal, no dia de Natal de 428, aproveitando a grande multidão que se aglomerava na Basílica Catedral, do alto do púlpito, Nestório pronunciou esta blasfêmia: Maria não deu a luz a Deus; seu filho não era senão um homem, instrumento da Divindade. Um frêmito de horror percorreu a multidão, e um leigo, Eusébio, levantou-se do meio do povo e protestou contra a impiedade. Toda a História, até hoje, se regozija com essa atitude. Ela salvou a fé de Bizâncio”.
c. NORMA GERAL
D. Guéranger, dá, então, o princípio geral: “Quando o Pastor muda-se em lobo, pertence, em primeiro lugar, ao rebanho defender-se. Normalmente, sem dúvida, a doutrina desce dos Bispos ao povo fiel, e os súditos, nas coisas da Fé, não devem julgar seus Chefes. Há, porém, no tesouro da Revelação, pontos essenciais, cujo conhecimento necessário e guarda vigilante todo cristão deve possuir, em virtude de seu título de cristão. O princípio não muda, quer se trate de crença ou procedimento, de moral ou de dogma. Traições como a de Nestório são raras na Igreja; não assim o silêncio de certos Pastores que por uma ou outra causa, não ousam falar, quando a Religião está engajada. Os verdadeiros fiéis são os homens que extraem de seu Batismo, em tais circunstâncias, a inspiração de uma linha de conduta; não os pusilânimes que, sob pretexto especioso de submissão aos poderes estabelecidos, esperam, para afugentar o inimigo, ou para se opor a suas empresas, um programa que não é necessário, que não lhes deve ser dado”.
d. A IMPORTÂNCIA DA TRADIÇÃO
Quisemos ilustrar o critério lembrado por Paulo VI, devido à importância especial que ele assume nos dias que correm, como é notório a quem observa o que se passa em certos meios católicos. Aliás, tal é o valor da Tradição, que mesmo as Encíclicas e outros Documentos do Magistério ordinário do Sumo Pontífice, só são infalíveis nos ensinamentos corroborados pela Tradição, ou seja, por uma doutrinação contínua, através de vários Papas e por largo espaço de tempo. De maneira que, o ato do Magistério ordinário de um Papa que colida com o ensinamento caucionado pela Tradição magisterial de vários Papas e por espaço notável de tempo, não deveria ser aceito.
Entre os exemplos que a História aponta de fatos semelhantes, avulta o de Honório I. Viveu este Papa, ao tempo em que a heresia monotelita fazia estragos na Igreja do Oriente. Negando a existência de duas vontades em Jesus Cristo, renovam os monotelitas o absurdo que Êutiques introduziu no dogma, quando pretendeu que em Jesus Cristo havia uma só natureza, composta da natureza divina e da natureza humana. Habilmente, o Patriarca Sérgio de Constantinopla insinuou no espírito de Honório I que a pregação das duas vontades no Salvador só causava divisões no povo fiel. Acendendo aos desejos do Patriarca, que eram também os do Imperador, o Papa Honório proibiu que se falasse nas duas vontades do Filho de Deus feito homem. Não advertiu o Pontífice que seu ato deixava o campo aberto à difusão da heresia. Por isso mesmo não se lhe devia dar atenção. Entre os que lamentaram o ato de Honório I estão o VI Concílio Ecumênico, que foi o terceiro reunido em Constantinopla, e São Leão II, Papa, ao confirmar aquele Concílio. Entre os que continuaram a ensinar as duas vontades em Jesus Cristo, está o grande São Máximo, chamado de Confessor porque selou com o martírio sua fidelidade à doutrina católica tradicional.
e. NORMA DE JULGAMENTO PARA AS NOVIDADES
Guardemos, pois, com o máximo respeito e atenção, o critério de aferimento para as novidades que surgem na Igreja:
- Ajustam-se elas à Tradição? – São de boa lei.
- Não se ajustam, opõem-se à Tradição, ou a diluem? – Não devem ser aceitas.
Tradição, é certo, não é imobilismo. É crescimento, porém, na mesma linha, na mesma direção, no mesmo sentido, crescimento dos seres vivos que se conservam sempre os mesmos. Por isso mesmo, não se podem considerar tradicionais, formas e costumes que a Igreja não incorporou na exposição de sua doutrina, ou na sua disciplina. A tendência, nesse sentido, foi chamada por Pio XII “reprovável arqueologismo” (Encíclica “Mediator Dei”). Isto posto, tomemos como norma o seguinte princípio: quando é visível que a novidade se afasta da doutrina tradicional, é certo que ela não deve ser admitida.
Vários modos de corromper a Tradição
Pode-se concorrer para destruir a Tradição de vários modos. Há, mesmo, entre eles uma escala que vai da oposição aberta ao desvio quase imperceptível. Exemplo de oposição clara, temos nas várias atitudes tomadas por teólogos, e até Autoridades Eclesiásticas, rejeitando a decisão da Encíclica “Humanae Vitae”. De fato, o ato de Paulo VI, declarando ilícito o uso dos anticoncepcionais, insere-se numa Tradição ininterrupta do Magistério Eclesiástico. Não aceitá-lo, ensinando o oposto do que ele prescreve, ou aconselhando práticas por ele condenadas, constitui exemplo típico de negação de um ensinamento tradicional.
Mais sinuosa é a falácia, quando se fere a Tradição, através de elucidações dogmáticas que, sem negarem os termos tradicionais, de fato, são incompatíveis com os dados revelados; por exemplo, continuar a fazer profissão de fé no mistério da Santíssima Trindade, mas substituir sistematicamente o termo consubstancial por outro que não tem o mesmo significado, como a palavra natureza.
Há igualmente descaminhos para a heresia, nas deduções que ampliam o conteúdo das premissas. Assim, declarar que, em virtude da colegialidade, o Papa pode resolver sem ouvir o Colégio Episcopal, é incidir no conciliarismo que subverte a Igreja de Cristo.
Mais subtis, são os novos usos, especialmente em liturgia, que subrogam aos antigos, e que não só não são dotados da mesma riqueza, senão que insinuam outros conceitos religiosos. Em Nossa Pastoral de 19 de março de 1966, sublinhamos a importância que têm os usos e costumes, tanto no afervoramento da fé, como, em sentido contrário, no solapamento desta mesma fé, sempre que o procedimento pressupõe, e portanto, difunde conceitos errôneos sobre as verdades reveladas.
Evidentemente, não é a mesma a responsabilidade pessoal que há nessas várias maneiras de contestar a Tradição. Nas circunstâncias atuais, no entanto, todas elas oferecem perigo à fé, e talvez mais aquelas que menos aparecem como opostas à Igreja tradicional. Segue-se que de nós se pede cuidadosa vigilância, não venhamos a assimilar o veneno meio inconscientemente. Se há gente de boa fé que, por ignorância ou ingenuidade, nas novidades que vai aceitando, tenciona apenas obter uma nova expressão da verdadeira Igreja: há também e sobretudo a astúcia do demônio que se serve dessas mesmas intenções para desgarrar os fiéis da ortodoxia católica.
Os falsos profetas e os novos Catecismos
Na Exortação Apostólica, que sugere estas considerações, insiste o Papa, sobre a ação dos falsos doutores, que, vivendo no meio do povo de Deus, corrompem a Fé e a Religião. Assim, diz que é “para nós, Bispos”, aquela advertência que se encontra em São Paulo: “virá tempo em que os homens já não suportarão a sã doutrina da salvação. Levados pelas próprias paixões e pelo prurido de escutar novidades, ajuntarão mestres para si. Apartarão os ouvidos da verdade e se atirarão às fábulas” (2 Tim. 4, 3-4), e mais adiante, torna Paulo VI ao mesmo toque de alerta, ainda com palavras do Apóstolo: “do meio de nós mesmos, como já sucedia nos tempos de São Paulo, surgirão homens a ensinar coisas perversas para arrebatarem discípulos atrás de si (Atos 20, 30)” (p. 105).
Quando os inimigos estão dentro de casa, como denuncia aqui o Papa, é sumamente néscio quem não redobra a vigilância. Na atual crise da Igreja, podemos dizer que nossa salvação está condicionada ao emprego de todos os meios que preservem a integridade da nossa Fé. Portanto, é necessária, hoje, maior atenção para evitar as ciladas armadas contra a autenticidade de nosso Cristianismo.
Em Nossa Instrução Pastoral sobre a Igreja, de 2 de março de 1965, fundamentamos semelhante advertência, mostrando como o espírito modernista, infiltrado nos meios católicos, introduz entre os fiéis, o relativismo e o naturalismo religiosos, subvertendo o dogma e a moral revelados. Da difusão de semelhante espírito incumbem-se, atualmente, os novos Catecismos. Eis que nos toca o dever de chamar vossa atenção, amados filhos, sobre essas novas obras de ensino e formação religiosa que, a título de fé para adultos ou para o homem moderno, destroem a doutrina tradicional, ora pelo silêncio, ora por omissões, ora de maneira positiva, por concepções contrárias à verdade sempre ensinada pela Igreja. São os novos Catecismos o meio de inocular na mente dos fiéis a nova religião, em consonância com as correntes evolucionista e racionalista do pensamento moderno.
Não levantamos nenhum julgamento sobre as intenções dos autores dos novos Catecismos. Não Nos esquecemos, no entanto, de que o “homem inimigo”, ou seja, o demônio, que tudo faz para perder as almas, se aproveita das perturbações causadas na Igreja pelos pruridos de novidade, e nelas mesmas insinua os sofismas com que corrompe a Fé e perverte os costumes. Sendo, como são, os novos Catecismos instrumentos para formar, na Religião, as novas gerações, seria ingênuo pensar que o anjo das trevas não procurasse servir-se deles, para a realização de sua obra sinistra. De fato, pois, objetivamente, os novos Catecismos devem ser colocados, entre os fautores da autodemolição da Igreja, de que fala o Papa.
Nunca é demais salientar a importância do Catecismo. E, em conseqüência, nunca será excessivo alertar os fiéis contra os textos de Catecismo que subvertem a Religião de Nosso Senhor Jesus Cristo.
IV
A profissão de fé nas práticas litúrgicas e religiosas
Na sua Exortação Apostólica, Paulo VI onera a consciência dos Bispos, cuidem que a doutrina seja transmitida pura não só no ensino, como no exemplo que há de vivificar as palavras.
Refere-se o Papa aos auxiliares dos Bispos na difusão da sã doutrina. Sua afirmação, no entanto, comporta interpretação mais ampla, uma vez que, nos atos piedosos, fazemos viva profissão de nossa fé. Em outras palavras: o que cremos com a inteligência, isso realizamos na nossa vida católica, especialmente nas práticas religiosas. Em sentido inverso, é pelos atos cotidianos que, ou alimentamos a nossa fé, ou a entibiamos, segundo nosso procedimento se conforme com o que cremos, ou dele se afaste.
E aí tendes, amados filhos, toda a importância das práticas piedosas tradicionais. Nutriu-se com elas a fé das gerações passadas, que, com seu exemplo, nos transmitiram o amor a Jesus Cristo, à sua doutrina e aos seus preceitos. Elas fortificarão, hoje também, a nossa fé, e nos darão as energias de seguir o exemplo dos nossos irmãos, que nos precederam no santo temor de Deus. Nesta mesma ordem de idéias, devemos precaver Nossos amados filhos, contra as práticas religiosas, nas quais ou se incarna o espírito da nova Igreja, ou extenua-se a adesão aos mistérios revelados. Tratando-se de questão capital, que interessa à salvação eterna, recomendamos vivamente aos Nossos caríssimos filhos, que se mantenham fiéis aos exercícios ascéticos encarecidos pela Igreja: meditação, exame de consciência, atos de mortificação, visitas ao Santíssimo, confissão e comunhão freqüente, oração contínua, e, de modo especial, a reza cotidiana do terço de Nossa Senhora.
O culto à Santíssima Eucaristia
De modo particular, novamente, lembramos aos Nossos amados filhos a reverência que tradicionalmente se deve à Santíssima Eucaristia, reverência com que fazemos profissão de fé na presença real e substancial do Deus humanado no Sacramento do Altar. De acordo com o costume tradicional, que, segundo a Sagrada Congregação do Culto Divino, onde existe, deve ser conservado, recebam os fiéis, a Sagrada Comunhão sempre de joelhos, e as senhoras e moças com a cabeça coberta, e jamais se aproximem dos Santos Sacramentos em veste que desdizem do respeito e reverência para com as coisas sagradas.
Dessacralização
Tenhamos sempre todo respeito pelo lugar sagrado. Uma das características da Igreja nova é a dessacralização. Condena ela os edifícios próprios para o culto, e deseja que a Religião se dissolva na vida comum do indivíduo. Sob a alegação de que tudo é sagrado, na realidade, tudo reduz ao profano. Jesus Cristo atendia muito à distinção entre o sagrado e o profano. Comentando o trecho de São João, em que o Divino Mestre expulsou os vendilhões, declara Santo Agostinho que o mal não consistia em que se vendiam animais, porquanto licitamente se vende o que licitamente se oferece no Templo. O mal estava em que a venda se fazia, por mero interesse, num lugar sagrado, de si destinado a oração e ao culto divino (cf. in Jo. tr. X).
Proteção e mediação de Maria Santíssima
Acenamos, amados filhos, a algumas práticas, através das quais, procura-se instaurar na Igreja um cristianismo novo, destoante daquele que Jesus Cristo veio trazer à terra. Em Nossa Pastoral de 19 de março de 1966, sobre a aplicação dos Documentos conciliares, salientamos o grande perigo que de tais práticas se origina para a fé, intoxicadas, como estão, pela heresia difusa que encontra conivência na mentalidade relativista do mundo moderno. A situação é tão grave, o mal tão profundo, que hoje, mais do que em tempos passados, é necessário o apelo aos meios sobrenaturais da graça. Entregues a nós mesmos, somos incapazes de resistir à onda elevada pelos falsos profetas, e menos ainda de fazê-la amainar, de modo que possam as almas continuar serenamente nas vias da imitação do Divino Salvador.
Recorramos, pois à oração, e especialmente à devoção a Maria Santíssima, Senhora nossa. A Tradição é unânime em apresentá-La como Medianeira de todas as graças, como Mãe terníssima dos cristãos, empenhada na salvação de seus filhos, como interessada na integridade da obra de seu Divino Filho. Nas situações difíceis, em que Se tem encontrado, a Igreja habituou-nos a suplicar o valioso e eficaz auxílio da Santa Mãe de Deus, seja para profligar heresias, seja para impedir que o jugo dos infiéis pesasse sobre os cristãos. Podemos dizer que a Igreja jamais Se achou em crise tão grave e tão radical, como a que hoje alui seus fundamentos desde os seus primeiros alicerces. É sinal de que a proteção de Maria Santíssima se torna mais necessária. A nós compete fazê-la real mediante nossas súplicas à Santa Mãe de Deus. Nesse sentido, renovamos a exortação que fizemos à reza cotidiana do terço do santo Rosário, cuja valia aumentaremos com a imitação das virtudes de que a Virgem Mãe nos dá particular exemplo: a modéstia, o recato, a pureza, a humildade, o espírito de mortificação na renúncia de nós mesmos, e a caridade com que, pelo bom exemplo, como discípulos de Cristo “impregnamos de seu espírito a mentalidade, os costumes, e a vida da cidade terrena” (p.105). Confiamos que a proteção da Santa Mãe de Deus nos conservará a fidelidade à Tradição na nossa profissão de fé e nas nossas práticas religiosas, como nos hábitos de nossa vida católica.
Certo de que tão excelsa proteção jamais nos faltará, enviamos aos Nossos zelosos Cooperadores e amados filhos, Nossa cordial bênção pastoral, em nome do Padre, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.
Dada e passada na Nossa Episcopal Cidade de Campos, sob Nosso sinal e selo de Nossas armas, aos onze dias do mês de abril do ano de mil novecentos e setenta e um, na Santa Páscoa do Senhor.
Fonte: Dom Antônio de Castro Mayer; Livro "Quarenta anos de episcopado: 1948-1998" FSSPX
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