Segunda-feira, 6 de Julho de 2009

Vida do Cardeal Pie (Áudio em Espanhol)

TESTIMONIO Y DOCTRINA DEL CARDENAL PIE.
Por el R.P. Alfredo Sáenz S.J.
Conferencia pronunciada en el XI encuentro de formación católica organizada por el Círculo de formación San Bernardo de Claraval en el año 2008.

R.P. Osvaldo Lira

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Domingo, 5 de Julho de 2009

O catolicismo social no século XIX

Gustavo Corção

Parece-me necessário completar nossa constelação de sinais com outro aspecto da luta da Igreja, que também tem sido objeto da mais divulgada das calúnias. Refiro-me à "questão social" e ao papel que o povo de Deus (agora os membros da Igreja) tiveram na tentativa de defender, contra a avidez de toda uma nova civilização, a causa dos pobres, e principalmente na tentativa de subtrair esse pretexto aos socialistas que, movidos por paixão de poder ou por avidez do vazio, quiseram fazer das chagas dos pobres degraus de sua dominação do mundo. Sem esquecer as condenações vindas do Magistério Extraordinário, é com apoio nas obras dos leigos que a Igreja combate o socialismo com seu magistério ordinário. Referime atrás aos movimentos em favor dos pobres no século passado, e agora creio estar ouvindo um clamor de vozes indignadas de nosso bravo século:

— Assistencialismo! Paternalismo! Obras de misericórdia! Caridade!

Respondeo dicendum:

—• Exatameate, minhas senhoras e meus senhores: assístencialismo, paternalismo, obras de misericórdia e de caridade, mesmo porque acho matematicamente impossível, fisicamente impossível, metafisicamente impossível e moralmente impossível melhorar um pouco as asperezas do mundo sem muito assistencialismo, muito paternalismo, muitas obras de misericórdia e muitíssimas obras de santa caridade. Os socialistas apregoam que só será possível construir um mundo melhor com mudanças radicais de "estruturas" sociais, a começar, todavia, por um arrasamento total. Nós outros, católicos, acreditamos modestamente no "mundo melhor"; mas só acreditamos nesse digno e preceptivo ideal a partir de um aperfeiçoamento interior do homem, isto é, a partir do melhor aproveitamento dos dons de Deus transformados em virtudes morais e teologais, para uma vida humana mais dignamente vivida com vistas à vida eterna, pela qual e por nós Nosso Senhor Jesus Cristo padeceu.

Não ignoramos que o problema do aperfeiçoamento humano, tanto na ordem de pedagogia como na das reformas sociais, deve sempre contar com a primordial autonomia do educando ou dos pobres. Sabemos que a "atividade imanente do educando" é o principal fator no dinamismo da ascensão humana. Sabemos que o melhor modo de ajudar o pobre é o de nele ativar essa atividade, ou de nele despertar o gosto de se ajudar a si mesmo, sem o qual será dificílimo ajudá-lo. Há um abismo entre essas noções e a filosofia que só vê possibilidade de ascensão humana pelo processo de "conscientização" em que a autonomia é despertada para o ódio e para a luta de classes.


Karl Marx, o messias do Século do Nada, conclamou a união de todos os proletários para a luta de classes no seu manifesto de 1848 que terminava com este grito: "Operários do mundo inteiro, uni-vos!"
Seria mais didático ter dito: "Operários do mundo inteiro, desunivos da humanidade comum". E é ainda Augustin Cochin, no termo da Introdução da obra atrás citada, quem nos dirá uma palavra lúcida sobre a união na revolução:

As três formas de opressão que correspondem aos três estados das "sociétés de pensée" — a socialização do pensamento, a socialização da vida pública e a socialização da vida privada — não são um efeito do temperamento do indivíduo nem um acaso, mas a condição da própria existência das sociedades que armam o princípio da liberdade absoluta na ordem intelectual, moral e sensível.

Toda sociedade de pensamento é opressão intelectual pelo simples fato de denunciar todo dogma como opressão. Porque ela não pode, sem_ cessar de ser, renunciar a toda unidade de opinião. Ora, uma disciplina intelectual sem objeto que lhe responde, sem ideia, é a própria definição de opressão intelectual. Toda sociedade de iguais é privilégio pelo simples fato de renunciar em princípio a qualquer direção pessoal, porque ela não pode existir sem unidade de direção. Ora, uma direção sem responsabilidade, o poder sem autoridade, isto é, a obediência sem o respeito, eis a própria definição da opressão moral.

Toda sociedade de irmãos é luta e ódio pelo fato de denunciar, como egoísta, qualquer independência pessoal: porque ela não pode deixar de ligar seus membros uns aos outros, e não pode deixar de manter uma coesão social. Ora, a união sem o amor é a própria definição de ódio.


E aí está como o liberalismo se transmuda em socialismo, e a mística da liberdade produz, como produziu, a opressão.

O "catolicismo social" só se manterá católico enquanto mantiver, paralelo ao seu atendimento dos pobres, uma vigilante luta contra os que exploram os pobres em nome da justiça, e portanto contra os pregadores da união no ódio.

O Século do Nada, Cap. III A revolução se avoluma; O Catolicismo social no Século XIX, pag 145-146, Gustavo Corção.

Sábado, 4 de Julho de 2009

Saint Nicholas du Chardonnet

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Saint Nicholas du Chardonnet – Cerimônias diversas

Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

Garrigou e o remédio para o integralismo e outros ismos…

Sobre a necessidade de uma fé mais profunda

Reg. Garrigou-Lagrange, O.P.

Deve-se, desde o início, falar da necessidade de uma fé mais profunda, por causa dos perigos provindos de erros gravíssimos, atualmente espalhados pelo mundo, e por causa da insuficiência dos remédios a que freqüentemente recorremos contra eles.

Os perniciosos erros que se espalham pelo mundo, tendem à descristianização completa dos povos. Ora, isto começa com a renovação do paganismo no século XVI, ou seja, com a renovação da soberba e da sensualidade pagã entre cristãos. Este declínio avançou com o protestantismo, por sua negação do Sacrifício da Missa, do valor da absolvição sacramental e, por conseqüência, da confissão; por sua negação da infalibilidade da Igreja, da Tradição ou Magistério, e da necessidade de se observar os preceitos para a salvação. Em seguida, a Revolução francesa lutou manifestamente para a descristianização da sociedade, conforme os princípios do Deísmo e do naturalismo — isto é: se Deus existe, não cuida das pessoas individuais, mas somente das leis universais. O pecado, por estes princípios, não é uma ofensa à Deus, mas apenas um ato contra a razão, que sempre evolui; assim, considerava-se o furto como pecado enquanto se admitia o direito à propriedade individual; porém, se a propriedade individual é, como dizem os comunistas, contrário ao que se deve à comunidade, nesse caso, é a própria propriedade individual que é furto.

Em seguida, o espírito da revolução conduziu ao liberalismo que, por sua vez, queria permanecer numa meia altitude entre a doutrina da Igreja e os erros modernos. Ora, o liberalismo nada concluía; não afirmava, nem negava, sempre distinguia, e sempre prolongava as discussões, pois não podia resolver as questões que surgiam do abandono dos princípios do cristianismo. Assim, o liberalismo não era suficiente para agir, e após ele veio o radicalismo mais oposto aos princípios da Igreja, sob a capa de “anticlericalismo”, para não dizer anticristianismo. Assim, os maçons. O radicalismo, então, conduziu ao socialismo e o socialismo, ao comunismo materialista e ateu, como agora na Rússia, e quis invadir a Espanha e outras nações negando a religião, a propriedade privada, a família, a pátria, e reduzindo toda a vida humana à vida econômica como se só o corpo existisse, como se a religião, as ciências, as artes, o direito fossem invenções daqueles que querem oprimir os outros e possuir toda propriedade privada.

Contra todas essas negações do comunismo materialista, só a Igreja, somente o verdadeiro Cristianismo ou Catolicismo pode resistir eficazmente, pois só ele contém a Verdade sem erro.

Portanto, o nacionalismo não pode resistir eficazmente ao comunismo. Nem, no campo religioso, o protestantismo, como na Alemanha e na Inglaterra, pois contém graves erros, e o erro mata as sociedades que nele se fundam, assim como a doença grave destrói o organismo; o protestantismo é como a tuberculose ou como o câncer, é uma necrose por sua negação da Missa, da confissão, da infalibilidade da Igreja, da necessidade de observar os preceitos.

O que, pois, se segue dos erros citados no que diz respeito à legislação dos povos? Esta legislação torna-se paulatinamente atéia. Não somente desconsidera a existência de Deus e a lei divina revelada, tanto positiva como natural, mas formula várias leis contrárias à lei divina revelada, por exemplo, a lei do divórcio e a lei da escola laica, que termina por tornar-se atéia, nos três graus: escolas primárias, liceus ou ginásios e universidades, nas quais freqüentemente reduz-se a religião à história mais ou menos racionalista das religiões, na qual o cristianismo somente aparece como no modernismo, como uma forma agora mais alta da evolução de um senso religioso que sempre muda, de modo que nenhum dogma seria imutável nem imutáveis os preceitos; por fim, vem a liberdade total de cultos ou religiões, e da própria impiedade ou irreligião. Ora, as repercussões destas leis em toda sociedade são enormes; tome, por exemplo, a repercussão da lei do divórcio: qualquer que seja o ano, qualquer que seja a nação, milhares de famílias são destruídas pelo divórcio e deixam sem educação, sem direção, crianças que terminam por se tornar ou incapazes, ou exaltadas, ou más, por vezes, péssimas. Do mesmo modo, saem da escola atéia, todos os anos, muitos homens ou cidadãos sem nenhum princípio religioso. E portanto, em lugar da fé, da esperança e da caridade cristã, têm eles a razão desordenada, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos, o desejo de riqueza e a soberba de vida. Todas essas coisas são erigidas em um sistema especial materialista, sob o nome de ética laica ou independente, sem obrigação e sanção, na qual às vezes remanesce algum vestígio do decálogo, mas um vestígio sempre mutável. Se, porém, os efeitos dolorosíssimos destes erros perniciosos ainda não aparecem claramente na primeira geração, na terceira, quarta e quinta se manifestam segundo a lei da aceleração na queda. — É como na aceleração da queda dos corpos: se numa 1a. etapa da descida, a velocidade é como que 20, numa 5ª será como que 100. E isto se contrapõe ao progresso da caridade, que, segundo a parábola do semeador, é por vezes 30, 50, 100 para um.

É a verdadeira descristianização ou apostasia das nações. E isto foi exposto justamente na longa epístola do grande católico espanhol Donoso Cortes escrita ao Cardeal Fornari para que a apresentasse à Pio IX; o título dela é: Sobre o princípio generativo dos graves erros hodiernos (trinta páginas) e Discurso sobre o estado atual da Europa (1830). Cf. Opera do mesmo autor 5 vol. Madrid 1856: trad. Fr, 1862, t. II, p 221, ss; t. I, p 399; trad. It. 1861. Em seguida, a mesma série de erros foi exposta no Silabo de Pio IX, 1861 (Dz. 1701).

O princípio destes erros é: Se Deus existe, não cuida das pessoas individuais, mas somente, das leis universais. Daí o pecado não ser uma ofensa contra Deus, mas somente contra a razão, que sempre evolui. Disto segue que não existiu o pecado original, nem a Encarnação Redentora, nem a graça regenerativa, nem os sacramentos que causam a graça, nem o sacrifício e, por isso, não é útil o sacerdócio, nem é útil a oração.

No fundo, o Deísmo não parece verdadeiro, pois se os homens individualmente não precisam de Deus, porque se admitiria que Deus existe no céu? É preferível admitir que Deus se faz na humanidade, que é a tendência mesma ao progresso, à felicidade de todos, sobre a qual falam o socialismo e o comunismo.

Portanto, qual é, segundo este princípio, o modo de discernir o falso do verdadeiro? O único modo é a livre discussão, no parlamento ou em algum outro lugar, e esta liberdade é, portanto, absoluta, nada pode ser subtraído à sua jurisdição, nem a questão do divórcio, nem a necessidade da propriedade individual, nem a da família ou da religião para os povos.

Assim, a discussão fica libérrima, como se não existisse a Revelação divina; se se objeta, por exemplo, que o divórcio é proibido no Evangelho, isto pouco importa.

Destas coisas nascem, como é patente, grandes perturbações, inúmeros abortos, crimes, e não se encontra remédio, senão o de aumentar cada vez mais a polícia ou o exército.

Mas, a polícia obedece àqueles que estão no poder e não raro, depois destes, vêm seus adversários e ordenam o contrário. De outra parte, tendo-se suprimido a propriedade privada, suprime-se, de modo geral, o patriotismo, que é como a alma do exército.

Donde estes remédios não serem suficientes para conservar a ordem e evitar as graves e intermináveis perturbações, pois não mais se admite a lei divina, e nem a lei natural escrita por Deus em nossos corações (E tudo isso é uma demonstração per absurdum da existência de Deus.)

Neste caso, é para se concluir com Donoso Cortes que estas sociedades, fundadas sobre princípios falsos ou sobre uma legislação atéia, tendem para a morte. Nelas, com o auxílio da graça, as pessoas individuais podem ainda se salvar, mas estas sociedades, como tais, tendem para a morte, pois o erro, sobre o qual se fundam, mata, como a tuberculose ou o câncer que, progressiva e infalivelmente, destrói nosso organismo. — Só a fé cristã e católica pode resistir a estes erros, e tornar a cristianizar a sociedade, mas, para isso, requer-se uma condição, uma fé mais profunda, conforme a Escritura: « Esta é a vitória que vence o mundo, a nossa fé. » (1 Jo 5, 4).

(De Sanctificatione Sacerdotum, intro., tradução: PERMANÊNCIA) 

Fonte: Permanência

Quarta-feira, 1 de Julho de 2009

Audiência geral do Papa Bento XVI: dever dos padres são Evangelho e Sacramentos, não mudar o mundo.




Extraído de Frates in Unum.com

Papa: padres, “Primeiro dever não é a construção da justiça social”

VATICAN-POPE-PALM SUNDAYCIDADE DO VATICANO – O Concílio Vaticano II teria alimentado confusão em parte da Igreja quanto ao papel dos padres. É o que afirmou o Papa durante o curso da audiência geral de hoje. “Alguns – disse Bento XVI - pensaram que o principal dever fosse o de construir, antes de tudo, a justiça social”. Essência mesma do sacerdócio, reiterou o Pontífice, são, pelo contrário, o anúncio do Evangelho e a Eucaristia. (Agr)

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Papa: dever dos padres são evangelho e sacramentos, não mudar o mundo.

“Depois do Concílio Vaticano II se produziu aqui e ali a impressão de que a missão do sacerdote em nosso tempo fosse qualquer coisa de mais urgente” que o anúncio da Palavra e a administração dos sacramentos, porque houve quem pensasse “que se devesse em primeiro lugar construir uma sociedade diferente”: o disse nesta manhã o Papa Bento XVI aos cerca de 14 mil peregrinos reunidos na praça de São Pedro para a audiência geral, apresentando o significado do Ano sacerdotal que se abriu no último 19 de junho. Para o Papa Ratzinger devem ser os “elementos sempre essenciais” do ministério sacerdotal: “Anúncio e poder, isto é, Palavra e sacramento”, que são “os dois pilares fundamentais do serviço sacerdotal, para além de suas possíveis e múltiplas configurações” sem os quais “se torna muito difícil compreender a identidade do presbítero e de seu ministério na Igreja”.

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Bento XVI: Audiência, “Anúncio e poder” as “colunas” do sacerdócio.

“Anúncio” e “poder”, isto é “palavra” e “sacramento” são “os dois pilares fundamentais do serviço sacerdotal, para além de suas múltiplas configurações possíveis. Assim disse o Papa, que na catequese da audiência geral de hoje fez notar que “após o Concílio Vaticano II se produziu aqui e ali a impressão de que na missão dos sacerdotes no nosso tempo havia outras coisas mais urgentes; alguns pensavam que se devesse em primeiro lugar construir uma sociedade diferente”. “Quando não se tem em conta díptico consagração-missão, torna-se muito difícil compreender a identidade do presbítero e seu ministério na Igreja”, alertou Bento XVI, definindo o padre “um homem convertido e renovado pelo Espírito, um homem de unidade e verdade, consciente dos próprios limites e da extraordinária grandeza da vocação recebida, que é a de contribuir para expandir o Reino de Deus até os extremos confins da terra”. “O sacerdote – disse o Papa – é um homem todo do Senhor, pois é Deus mesmo a chamá-lo e a constitui-lo no seu serviço apostólico”. Daqui desejo que durante o Ano sacerdotal ” se multipliquem iniciativas de oração e de adoração eucarística para a santificação do clero e pelas vocações sacerdotais, respondendo ao apelo de Jesus para rezar “ao Senhor da messe para que envie operários para a sua messe”.

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Fonte: Papa Ratzinger blog

Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

Festa dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo

pedro

O dever do vigário de Cristo

  Como vigário daquele que, numa hora decisiva, diante do representante da mais alta autoridade terrena de então, pronunciou a grande palavra: "Nasci e vim ao mundo para dar testemunho da verdade; quem está pela verdade, ouve a minha voz" (Jo 18,37), de nada nos sentimos mais devedores ao nosso cargo, e também ao nosso tempo, como de, com apostólica firmeza, "dar testemunho da verdade". Este dever implica necessariamente a exposição e a refutação dos erros e das culpas humanas que devem ser conhecidas para que se torne possível a cura: "conhecereis a verdade e a verdade vos tornará livres" (Jo 8,32). No cumprimento deste nosso dever, não nos deixaremos influenciar por considerações terrenas, nem nos deteremos diante de difidências e contrastes, de recusas e incompreensões, nem diante do temor de desprezos e falsas interpretações. Animar-nos-á sempre aquela paternal caridade que, enquanto sofre pelos males que afligem seus filhos, não deixará de indicar-lhes o remédio, esforçando-nos por imitar o divino modelo dos Pastores, o Bom Pastor Jesus Cristo que é, a um tempo, luz e amor: "Seguindo a verdade com amor" (Ef 4,15).

  No início da caminhada que leva à indigência espiritual e moral dos tempos presentes, estão os esforços nefastos de não poucos para destronar Cristo, o desapego da lei da verdade, que ele anunciou, da lei do amor, que é o sopro vital do seu reino. O reconhecimento dos direitos reais de Cristo e a volta de cada um e da sociedade à lei da sua verdade e de seu amor são o único caminho de salvação.

  Enquanto escrevemos estas linhas, veneráveis irmãos, chega-nos a apavorante notícia que se desencadeara o terrível tufão da guerra, não obstante todos os nossos esforços para esconjurá-lo. A nossa caneta como que hesita em prosseguir, quando imaginamos o abismo de sofrimentos de inúmeras pessoas, às quais sorria ainda ontem, no ambiente doméstico, um raio de modesto bem-estar. O nosso coração enche-se de angústia, ao prevermos tudo o que poderá medrar da tenebrosa semente da violência e do ódio, depositada hoje nesses sulcos sangüinosos que a espada acaba de abrir: Mas, mesmo diante destas apocalípticas previsões de desventuras iminentes e futuras, achamos que é nosso dever sugerir àqueles em cujos corações se aninha ainda um sentimento de boa vontade, que elevem os olhos ao único do qual deriva a salvação do mundo, ao único; cuja mão onipotente e misericordiosa pode fazer cessar esta tempestade, ao único, cuja verdade e cujo amor podem iluminar as inteligências e inflamar os corações de tão grande parte da humanidade imersa no erro, no egoísmo, nos contrastes e na luta, e reorganizá-la no espírito da realeza de Cristo.

  Talvez nos sej a lícito esperar - e Deus o permita - que esta hora de máxima indigência seja também uma hora de retificação do pensar e sentir de muitos que até agora palmilhavam, com cega confiança, o caminho semeado de erros modernos, sem suspeitarem quão insidioso e falso era o terreno que pisavam. Muitos talvez, que não compreendiam a importância da missão da Igreja, perceberão melhor agora os seus avisos, por eles descurados na falsa segurança de tempos passados. As angústias do presente são uma apologia do cristianismo, e não poderia ser mais impressionante. Do gigantesco vórtice de erros e movimentos anticristãos originaram-se frutos tão amargos que constituem uma condenação, cuja eficácia supera qualquer confutação teórica.

  Horas de tão penosa desilusão são muitas vezes horas de graça, uma "passagem: do Senhor" (Ex 12, 11) nas quais; à palavra do Salvador: "Eis que estou à porta,e bato" (Ap 3;20) abrem-se as portas que, de outra maneira, se conservariam fechadas. Bem sabe Deus com que amor comipassivo, com que santa alegria o nosso coração se volta para aqueles que, em meio de tão dolorosas experiências, sentem nascer em si o imperioso e salutar desejo da verdade, da justiça e da paz de Cristo. Mas também por aqueles que aguardam ainda a luz superna que os ilumine, o nosso coração não conhece senão amor, e de nossos lábios não se desprendem senão preces ao Pai das luzes pedindo-lhe que faça resplandecer em suas almas, indiferentes ou inimigas de Cristo, um raio daquela luz que transformou um dia Saulo em Paulo, daquela luz que demonstrou sempre a sua força misteriosa mesmo nos tempos mais difíceis para a Igreja.

CARTA ENCÍCLICA DO PAPA PIO XII

SUMMI PONTIFICATUS

SOBRE O OFÍCIO DO PONTIFICADO

Sábado, 27 de Junho de 2009

A Moral do Decálogo e a Moral Independente

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Do Opúsculo de Pe. Emmanuel-André: O Naturalismo (Ed. Permanência)

Estando doente a natureza, como mostramos e como constata a experiencia universal, o naturalismo aparece e, oferecendo-se como remédio de todo mal e como condição indispensável de todo bem, começa a nos ensinar a moral.

Primeiramente poderíamos dizer-lhe: A moral, mas para que? Se tuas teorias são verdadeiras, que o homem siga suas inclinações naturais e tudo irá bem!

Mas nesse ponto, o naturalismo é forçado a reconhecer que nada vai bem e volta a gritar: A moral, a moral! A moral é necessaria! É preciso a moral!

Escutemos, então, o naturalismo ensinando a moral.

Notemos primeiramente que, em matéria de moral, a humanidade nunca conheceu outra moral que não a do decálogo. Não daremos o nome de moral à doutrina de Confúcio, nem aos absurdos sistemas da India, nem mesmo às doutrinas dos estoicos, ainda menos às de Epicuro. Mas o naturalismo não poupa nada do que no passado, levava o nome de moral. Ele quer achar em si mesmo a regra de todo bem, e como sua moral é bem diferente da moral do decálogo, dá-lhe um nome bem sucedido e que a caracteriza muito bem: moral independente.

Até aqui a humanidade sempre olhou a moral como a expressão exata da dependência e da responsabilidade dos homens.

Com efeito, a moral nos prescreve deveres para com Deus, para com o próximo e para com nós mesmos.

Quem não vê que o cumprimento desses deveres tão completos se impõe ao indivíduo e só pode ser obra de Deus, criador do indivíduo e da humanidade? É pois evidente que a moral é a expressão exata, a medida, a regra, a salvaguarda de nossa dependência.

Quando nos vêm falar de moral independente, é como se nos ensinassem deveres que não são devidos, regras que não obrigam, preceitos que não ligam, em uma palavra, uma moral impotente, o que não tem absolutamente nada de moral, nada de moralizante.

Isso é o que se torna evidente quando se considera a prática dessa moral dita independente. Inicialmente, ela suprime o que chamamos nossos deveres para com Deus. Aí está a grande conquista do naturalismo, o significado característico da moral independente. Segundo o ímpio Renan, Deus é uma palavra antiquada e um pouco pesada. Na verdade, como é possível que devamos alguma coisa a uma palavra, a uma palavra antiquada, sobretudo se é um pouco pesada? Uma palavra é fácil de desprezar, desprezar duas vezes se é antiquada e um pouco pesada, então só nos resta nos desfazer dessa carga.

Foi a esse preço que a moral naturalista se tornou independente. E, no entanto, eles não se sentem tranquilos em relação a Deus. Não ousam dizer: Deus não é nada! São obrigados a confessar que é uma palavra e, se tivessem um pouco o senso da verdade, seriam obrigados a dizer que essa palavra é um nome, um nome que designa uma pessoa ou uma coisa e uma coisa única em seu gênero; porque Deus é um nome próprio e o próprio desse nome é ser antigo. Nós, cristãos, dizemos eterno.

O naturalismo não deixa de ter dificuldades no trabalho que empreendeu para se tranqüilizar com relação a Deus. Porque apesar de sua ciência e de seus esforços, os homens não podem chegar a negar a Deus senão negando sua própria inteligência; de acordo com a palavra profunda de um salmo, o homem que diz em seu coração: Deus não existe, é por isso mesmo convencido de ter perdido o bom senso: Dixit insipiens in corde suo: Non est Deus.(Sl.XIII,1).

Para que a impiedade naturalista estivesse tranqüila quanto a Deus, seria preciso que ela fosse capaz de aniquilá-lo ou que tivesse sabido, de boa fonte, que Ele não existe. Mas a impossibilidade disso é manifesta em ambos os casos. Portanto, se o naturalismo pode se constituir na dúvida ou na ignorância ou no desprezo em relação a Deus, nunca poderá levar esse desprezo, essa dúvida ou essa ignorância ao estado de ciência, e jamais homem algum no mundo pode nem poderá dizer: Sei que Deus não existe.

Portanto, o naturalismo não é admissível em sua pretensão de apagar nossos deveres para com Deus.

Vejamos a prática do naturalismo quanto a nossos deveres em relação ao próximo. Nós, cristãos, vemos claramente esses deveres porque Deus nos ensinou a sua vontade sobre isso e nos revelou a caridade. Mas o naturalismo, tendo fechado os olhos para Deus e para as luzes que nos vêm de Deus, nas lições que pretende nos dar, só se inspira no princípio do interesse pessoal. Assim, o filho honrará seu pai porque é ainda de seu interesse; o cidadão respeitará as leis porque isso é de seu interesse!

Quem não vê a fraqueza de tal princípio? Não haverá um dia em que se estabelecerá uma luta entre o interesse do indivíduo e o interesse da humanidade? E nessa luta, quais serão as regras do combate, quais serão as conseqüências? o indivíduo não terá necessidade de uma certa força moral para preferir o interesse bem entendido do próximo a seu próprio interesse mal entendido? Quem lhe dirá que ele compreende mal seu interesse pessoal, que ele deve dar preferência ao interesse do vizinho? Quem levará sua vontade a não querer o que ela quer e querer firmemente o que não quer de maneira nenhuma?

Moral independente, como ensinarás o homem a praticar uma moral não independente? Bem gostaríamos de ouvi-la falar sobre isso.

Gostaríamos também de ouvi-la ensinar ao homem seus deveres para consigo mesmo.

Sobre esse capítulo, o naturalismo só pode ensinar o egoísmo. A moral divina, a única que é verdadeiramente moral, pode falar ao homem sobre a abnegação de si mesmo; mas o naturalismo não pode pronunciar tais palavras sem se condenar, pois ele repele Deus para valorizar o homem. Se, depois disso, o homem renunciar a si mesmo, que lhe restará senão o nada? Quando a lei divina nos prescreve a abnegação de si mesmo, ela nos faz encontrar Deus e a nós mesmos em Deus, no estado de homens salvos. O naturalismo não pode fazer nada de parecido, é-lhe impossível elevar o homem acima do egoísmo.

Assim, o naturalismo fixa o homem no mais detestável dos vícios. Que ele adorne seu estado com não importa que nome faustoso, dignidade humana, independência, brio, tudo o que quiser, esse estado é vicio; e toda a moral dita independente termina nisso, sem a possibilidade de sair disso nunca mais.

É totalmente diferente a situação da moral cristã, cujo código é tão claro, tão luminoso. Que se julgue somente pelo primeiro artigo: Um só Deus adorarás e amarás perfeitamente.

Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

Encontro com o Pe Michael Rodríguez

Temos a alegria de convidar os católicos

do Rio de Janeiro para um

Encontro com o Pe. Michael Rodríguez

Pároco da igreja católica de San Juan Bautista, da diocese de El Paso, Texas

“A Crise de Fé e a Missa Tradicional em Latim”

  • A pérola de grande preço (Mt 13: 45-46): a nossa Fé Católica

  • A pérola de grande preço (Mt 13: 45-46): a Missa Tradicional em Latim

  • Como apreciar e participar da Missa Tradicional em Latim

  • Uma espiritualidade católica autêntica baseada na Missa Tradicional em Latim

Palestra – Terço – Santa Missa

Data: 27/06/09 (sábado)

Horário: Palestra em espanhol: 15h, culminando com a Santa Missa, às 18h

Local: Colégio Sto. Adolfo Rua Joaquim Murtinho, 641 – Santa Teresa


Peçamos a intercessão da Bem Aventurada Virgem Maria por esse encontro, para que tudo seja para a Glória de Deus e o bem das almas!

Auxilium Christianorum, ora pro nobis!

Devido ao número limitado de vagas, pedimos que os interessados confirmem presença pelo e-mail: padrerodrigueznobrasil@gmail.com

Instruções para quem vem de ônibus:

Para quem vem de Niterói e subúrbio do Rio pode-se pegar o ônibus 206 ou 214 (com ponto final) no Castelo, os quais deixam na porta do Colégio. Para os que vêm da Zona Sul, pegar qualquer ônibus que passe pela Av. Mem de Sá (433, 464, 409 ou 410), saltar no primeiro ponto de ônibus após os Arcos da Lapa e pegar o ônibus 206 ou 214 na Rua Gomes Freire, esquina com Rua Riachuelo. De ônibus a subida da ladeira leva apenas 5 minutos, o colégio fica logo no início de Santa Teresa.

Divulgação do livro "A Candeia debaixo do Alqueire": Conferência do Pe Álvaro Calderón - El Magistério Conciliar -

Terça-feira, 23 de Junho de 2009

Doutrina para crianças (1274-1276) – Ramon Llull

Ramon Llull (1232-1316)
Tradução: Prof. Dr. Ricardo da Costa (Ufes) e
Grupo de Pesquisas Medievais da UFES III
(Felipe Dias de Souza, Revson Ost e Tatyana Nunes Lemos)
Revisão: Tatyana Nunes Lemos

A Doutrina para crianças (Doctrina pueril), obra escrita por volta de 1274 pelo filósofo Ramon Llull e dedicada a seu filho, é um documento histórico de inestimável valor, do âmbito da História da Pedagogia. Através dele, temos uma noção de como as crianças eram educadas antes de serem encaminhadas na vida, no caso, para a cavalaria ou para o monacato.

De acordo com Isidoro de Sevilha (c. 560-636) as idades do homem eram seis: 1) Infância (infantia, até os 7 anos), 2) Meninice (pueritia, até os 14 anos), 3) Adolescência (adolescens, até os 28 anos), 4) Juventude (juvenes, até os 50 anos), 5) Maturidade (senioris, até os 70 anos) e 6) Velhice (Etimologias, XI, 2). A idade do filho de Ramon Llull quando do início da redação da Doutrina Pueril era de cerca de 12 anos. Portanto, a obra encaixa-se perfeitamente nesta faixa etária já definida no século VII por Isidoro de Sevilha.

A Doutrina para crianças foi traduzida diretamente do catalão medieval para o português em parceria com o Grupo de Pesquisas Medievais da UFES III. Tomamos como base a edição RAMON LLULL (a cura de Gret Schib). Doctrina pueril. Barcelona: Editorial Barcino, 1972. Esta pesquisa fez parte do projeto de pesquisa registrado no CNPq e intitulado "A Educação na Idade Média: a Doutrina para Crianças e o Livro da Intenção de Ramon Llull". Para ter acesso ao texto, basta clicar nos títulos dos capítulos abaixo.

Ricardo da Costa (Ufes - Brasil)

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Sumário

Do Prólogo - Dos 13 Artigos

Dos 10 Mandamentos

Dos 7 Sacramentos da Santa Igreja - Dos 7 Dons que o Espírito Santo dá

Das 8 Bem-aventuranças - Dos 7 Gozos de Nossa Senhora

Das 7 Virtudes que são os caminhos da salvação e Dos 7 Pecados Mortais pelos quais o homem vai à danação perdurável

Das 3 Leis - Das 7 Artes

De matérias diversas

Fonte: http://www.ricardocosta.com/univ/puerilsum.htm